Governo de SP formaliza contrato da PPP do túnel Santos-Guarujá com grupo Mota-Engil
Projeto centenário prevê investimento de quase R$ 7 bilhões e conclusão do primeiro túnel submerso do Brasil até 2031.
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), assinou nesta quarta-feira (28) o contrato da Parceria Público-Privada (PPP) para a construção do Túnel Santos-Guarujá com o grupo português Mota-Engil. O projeto, que prevê quase R$ 7 bilhões em investimentos, foi leiloado em setembro de 2023 e representa uma das maiores obras de infraestrutura do país.
De acordo com o cronograma, a conclusão das obras e o início da operação do primeiro túnel submerso do Brasil estão previstos para 2031. Os próximos passos incluem a definição da área para a doca de fabricação dos módulos de concreto, com início da produção estimado para 2027 e montagem da estrutura imersa até 2030.
"Em 2031, o primeiro túnel imerso do Brasil estará pronto e será a principal conexão entre 2 milhões de pessoas, novas oportunidades e o futuro da Baixada Santista", afirmou o governador em nota oficial.
A construção utilizará módulos de concreto pré-moldados instalados no leito do canal portuário, tecnologia já empregada na Europa e na Ásia. Após a fabricação, os módulos serão afundados, encaixados e cobertos por uma camada de pedras.
O projeto contempla um túnel de 870 metros sob o canal portuário, com três faixas por sentido, passagem para pedestres e ciclistas, além de galeria de serviços. O contrato, com duração de 30 anos, inclui também as etapas de operação e manutenção da infraestrutura.
A expectativa é que o tempo de travessia entre Santos e Guarujá seja reduzido para até cinco minutos após a conclusão do túnel. Atualmente, a ligação rodoviária entre as duas cidades tem 40 quilômetros de extensão, com tempo médio de viagem de cerca de uma hora.
Mota-Engil
A Mota-Engil venceu a PPP do túnel ao superar a espanhola Acciona em leilão realizado na B3 em setembro do ano passado. A China Communications Construction Company (CCCC) detém aproximadamente 32% da companhia portuguesa.
Considerado um dos empreendimentos mais complexos desde a construção da Ponte Rio-Niterói, a obra contará com a experiência internacional da Mota-Engil e da CCCC em projetos de grande porte.
No entanto, ao longo de duas décadas de atuação, a Mota-Engil esteve envolvida em investigações por corrupção, como acusações de pagamento de propinas ao ex-presidente do Malauí entre 2010 e 2011. Em Portugal, a empresa enfrentou processos fiscais e pagou cerca de 6,1 milhões de euros para evitar acusações de fraude, além de ter sido alvo de investigações no Peru e na Argentina relacionadas a possíveis contratos ilícitos.