POLÍTICA INTERNACIONAL

Lula defende papel institucional de presidentes e integração regional no Panamá

Durante visita ao Panamá, presidente destaca importância do diálogo, do multilateralismo e da cooperação econômica entre países latino-americanos.

Por Sputinik Brasil Publicado em 28/01/2026 às 18:45
Lula defende integração regional e papel institucional de presidentes durante visita ao Panamá. © Foto / Ricardo Stuckert

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta terça-feira (26) que chefes de Estado devem abrir portas para empresários, e não agir como donos de empresas. Em visita oficial ao Panamá, ao lado do presidente panamenho José Raúl Molino, Lula reiterou a defesa do multilateralismo e da integração intrarregional.

Sem mencionar nomes, a declaração ocorre em meio a ações do presidente dos EUA, Donald Trump, que pressiona a Dinamarca pela compra da Groenlândia e exige US$ 1 bilhão (cerca de R$ 5,2 bilhões) de países para participação em conselho de paz sobre a Faixa de Gaza.

“Falta entre nós a compreensão do que é uma atividade política. Um presidente da República não faz negócios, mas abre a porta para que os que fazem negócios possam fazê-los. Sempre tive a ideia de participar de tantas reuniões quanto necessário, pois a relação política é uma relação química: o aperto de mão, o abraço, o olhar no olho valem mais que 800 atos e milhares de e-mails”, declarou Lula. “Não somos algoritmos, somos seres humanos que reagimos de acordo com as emoções que sentimos no momento.”

A fala ocorreu durante cerimônia em que Lula foi condecorado com a Ordem Manuel Amador Guerrero, a maior honraria concedida pelo governo panamenho.

Lula está no Panamá desde ontem (27), onde participou do Fórum Econômico Internacional América Latina e Caribe 2026, promovido pelo Banco de Desenvolvimento da América Latina e Caribe. Segundo ele, eventos como esse demonstram que, com diálogo e pragmatismo, é possível avançar em objetivos comuns:

“Nossa região detém amplo potencial energético, rica biodiversidade, água e recursos minerais abundantes. Esses ativos estratégicos para a transição digital e energética podem nos reposicionar nas cadeias globais de valor. Infraestruturas integradas geram benefícios econômicos para todos. Aumentar o comércio intrarregional fortalece cadeias produtivas e nos torna mais resilientes a choques externos.”

O presidente ressaltou que o Panamá é o principal parceiro do Brasil na América Central e celebrou os acordos assinados com José Raúl Mulino, destacando que eles vão dinamizar o intercâmbio comercial entre os dois países.

Lula também informou ter encaminhado ao Congresso Nacional brasileiro a proposta de adesão formal ao protocolo de neutralidade do Canal do Panamá:

“Nosso país apoia integralmente a soberania do Panamá sobre o Canal. Há mais de três décadas o Panamá administra de forma eficiente, segura e não discriminatória essa via fundamental para a economia mundial”, afirmou. “Defender a neutralidade do canal é defender um comércio internacional justo, equilibrado e baseado em regras multilaterais.”

Ao concluir sua fala, Lula destacou que as nações da região têm capacidade de implementar um projeto autônomo de inserção internacional, impulsionando um novo ciclo de prosperidade para mais de 660 milhões de habitantes.

“Precisamos ser capazes de superar diferenças ideológicas em prol de ganhos coletivos. Desafios comuns, como o combate ao crime organizado internacional, só podem ser enfrentados com cooperação internacional”, finalizou.