MERCADO FINANCEIRO

Ibovespa resiste à pressão externa e atinge novo recorde de 184,6 mil pontos

Índice brasileiro avança 1,52% mesmo com cautela em Nova York e expectativa sobre decisão do Copom

Publicado em 28/01/2026 às 18:30
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Há duas semanas, em 14 de janeiro, o Ibovespa superou pela primeira vez os 165 mil pontos, ultrapassando o recorde anterior de 164 mil registrado em 4 de dezembro. Desde então, o índice da B3 acumulou alta de 19,5 mil pontos — um avanço de 11,83% em 11 sessões, renovando recordes em oito delas.

Nesta quarta-feira (28), o Ibovespa atingiu máxima intradiária de 185.064,76 pontos e encerrou o pregão com valorização de 1,52%, aos 184.691,05 pontos, novo patamar histórico de fechamento. O giro financeiro permaneceu elevado, somando R$ 34,1 bilhões. Na semana, o índice acumula alta de 3,26% e, em janeiro, já sobe 14,63%, caminhando para o melhor mês desde novembro de 2020, quando avançou 15,90%.

Nos Estados Unidos, o Federal Reserve manteve a taxa de juros entre 3,50% e 3,75%, como esperado, após três cortes em 2023. A decisão não foi unânime: Stephen Miran e Christopher Waller votaram por uma redução de 0,25 ponto percentual. O comunicado do Fed destacou a expansão sólida da economia americana, estabilidade na taxa de desemprego e inflação ainda elevada, reiterando a dependência dos próximos passos à evolução dos dados econômicos.

Com a decisão do Fed dentro das expectativas, as atenções dos investidores brasileiros se voltam para a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, prevista para esta noite.

Segundo Luis Ferreira, CIO do EFG Private Wealth Management, o destaque ficou para as dissidências de Waller e Miran. Waller, considerado um dos principais candidatos à presidência do Fed, vinha defendendo cautela na redução dos juros devido à inflação persistente. O voto divergente dele levanta questionamentos sobre motivações econômicas ou políticas.

O Fed também ajustou seu comunicado, retirando a referência a riscos de queda no emprego e revisando a avaliação da economia, que agora é descrita como em "ritmo sólido" de expansão. A inflação continua "um pouco elevada" e o mercado de trabalho apresenta "sinais de estabilização".

Após o comunicado do Fed, a curva de juros americana passou a precificar o próximo corte de 0,25 ponto apenas para o verão do hemisfério norte, em julho. Em Nova York, os principais índices fecharam mistos: Dow Jones +0,02%, S&P 500 -0,01% e Nasdaq +0,17%.

Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, avaliou que o comunicado do Fed foi marcado por cautela, reconhecendo a resiliência da economia e a elevada incerteza do cenário global. O FOMC reforçou a necessidade de condução prudente da política monetária.

Na B3, mesmo com o sinal misto em Nova York, o Ibovespa ganhou força e consolidou a marca inédita de 184 mil pontos ao final da sessão. O desempenho dos bancos, como Bradesco (ON +1,08%, PN +1,35%), Banco do Brasil (ON +2,88%), Santander (Unit +2,32%) e Itaú (PN +2,25%), além de Petrobras (ON +2,90%, PN +3,35%) e Vale (ON +2,44%), impulsionou o índice.

Entre as maiores altas do dia estiveram Raízen (+20,00%), C&A (+8,60%) e Usiminas (+6,57%). No lado oposto, Embraer (-3,53%), CPFL (-2,84%) e MBRF (-2,51%) registraram as maiores quedas.

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