La Niña se aproxima do fim e pode dar lugar ao El Niño
Após cinco meses de resfriamento no Pacífico, especialistas apontam transição para neutralidade e possível chegada do El Niño.
O fenômeno La Niña está próximo do fim após quase cinco meses de águas superficiais mais frias do que a média na faixa equatorial do Oceano Pacífico, segundo avaliação do MetSul Meteorologia. O fenômeno ocorre quando as águas superficiais do Pacífico equatorial central e oriental se resfriam, provocando alterações nos ventos, na pressão atmosférica e nos padrões de precipitação.
A expectativa é que a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), agência responsável pelo monitoramento do clima e dos oceanos, anuncie oficialmente o término do fenômeno após 14 semanas consecutivas. Apesar disso, o Pacífico ainda apresenta resquícios de condições associadas à La Niña.
A temperatura da superfície do mar chegou a atingir -0,8°C entre os dias 12 e 19 de novembro e voltou a esse patamar em janeiro, caracterizando um episódio considerado fraco e de curta duração. Na última quarta-feira, 27, conforme dados da NOAA, a anomalia no Pacífico Equatorial Central-Leste estava em -0,3°C, valor que se enquadra na faixa de neutralidade, entre -0,5°C e +0,5°C. O último registro nesse nível havia sido em 8 de outubro, também com -0,3°C.
Segundo o MetSul, o recente período de neutralidade ainda não seria suficiente, por si só, para decretar o fim definitivo da La Niña. No entanto, a presença de águas mais quentes abaixo da superfície do oceano levanta dúvidas sobre a possibilidade de retomada de um novo processo de resfriamento.
O período de neutralidade identificado pode anteceder o El Niño. Os fenômenos climáticos La Niña e El Niño são oscilações naturais resultantes da interação entre o oceano e a atmosfera. Em linhas gerais, a La Niña ocorre quando o Pacífico equatorial esfria, enquanto o El Niño se caracteriza pelo aquecimento dessas águas. Ambos costumam alterar o regime de chuvas e temperaturas em várias regiões do planeta, incluindo a América do Sul.
A Universidade de Columbia, em Nova York, aponta 5% de probabilidade de La Niña entre março e maio, 88% de neutralidade e 7% de El Niño.