ECONOMIA

Banco Central mantém juros em 15% pela quinta vez seguida

Apesar de inflação controlada e projeções otimistas para 2026, Copom opta por cautela e só prevê cortes se cenário seguir favorável.

Por Sputinik Brasil Publicado em 28/01/2026 às 19:26
Comitê de Política Monetária mantém Selic em 15% pela quinta vez, apesar de inflação controlada. © Foto / Antonio Cruz / Agência Brasil

O Banco Central decidiu manter a taxa básica de juros (Selic) em 15% ao ano pela quinta reunião consecutiva, mesmo diante de sinais de alívio na inflação e no câmbio. A decisão, tomada por unanimidade pelo Comitê de Política Monetária (Copom), mantém o índice no maior patamar desde julho de 2006.

No comunicado após o encontro, a autoridade monetária sinalizou que poderá iniciar um ciclo de cortes a partir de março, caso o cenário econômico permaneça favorável e a inflação continue sob controle. O Copom reforçou que a flexibilização da política monetária dependerá da confirmação das projeções atuais, mantendo, por ora, uma postura restritiva para assegurar a convergência da inflação à meta.

A reunião ocorreu em meio à composição incompleta do colegiado, após o término dos mandatos de Renato Gomes (Organização do Sistema Financeiro) e Paulo Pichetti (Política Econômica) no fim de 2025. As indicações dos novos diretores, a serem feitas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), devem ser encaminhadas ao Congresso apenas após o recesso parlamentar, em fevereiro.

A trajetória da Selic mudou a partir de setembro de 2024, após a taxa atingir 10,5% ao ano em maio daquele ano. O ciclo de alta levou os juros a 15% em junho, patamar mantido desde então.

A Selic é o principal instrumento do Banco Central para conter a inflação, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Em 2025, o IPCA fechou em 4,26%, o menor resultado anual desde 2018, dentro do intervalo da meta (3%, com margem de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo), permitindo variação entre 1,5% e 4,5%.

No Relatório de Política Monetária divulgado em dezembro, o Banco Central reduziu a projeção de inflação para 2026 de 3,6% para 3,5%, mas alertou que a estimativa pode ser revista diante das oscilações do dólar e dos preços. O próximo relatório será publicado no fim de março.

Juros elevados ajudam a conter a inflação ao encarecer o crédito e desestimular o consumo e investimentos, mas também limitam o crescimento econômico. O Banco Central revisou para cima a projeção de crescimento do PIB em 2026, de 1,5% para 1,6%. O mercado financeiro, segundo o boletim Focus, prevê expansão de 1,8%.