Manifestantes protestam em várias cidades do Brasil contra suposto sequestro de Maduro
Ações organizadas por movimentos sociais repudiam ofensiva dos Estados Unidos contra presidente venezuelano e alertam para riscos de escalada internacional.
Manifestantes foram às ruas nesta quarta-feira (28) em diversas cidades brasileiras para protestar contra o alegado sequestro do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e da primeira-dama e deputada Cilia Flores, pelos Estados Unidos. Segundo informações, Maduro deverá ser julgado em Nova York.
Em São Paulo (SP), o ato ocorreu de forma pacífica e teve início por volta das 17h, em frente ao Theatro Municipal, no centro da cidade.
Leonardo Péricles, candidato à presidência nas últimas eleições, declarou à Sputnik Brasil que a manifestação integra um movimento mundial de solidariedade à Venezuela e de repúdio ao imperialismo, especialmente o norte-americano, alertando para o risco de novos conflitos globais.
"Essa manifestação é parte de um movimento mundial de luta em solidariedade ao povo venezuelano e também de repúdio ao imperialismo, sobretudo o imperialismo norte-americano e o risco que ele coloca o mundo, inclusive de culminar numa Terceira Guerra Mundial nessa disputa entre os grandes países imperialistas."
Péricles também afirmou que o ato evidencia a "grande farsa que foi a invasão da Venezuela", relacionada à busca pelo petróleo do país.
"Qualquer contradição que um povo tenha tem que ser resolvida em território nacional, então exigimos a libertação do presidente Nicolás Maduro e da deputada federal Cilia Flores, que foram sequestrados e nós não podemos admitir uma ação como essa do imperialismo norte-americano, uma vez que os nossos países estão de algum modo ou outro submetidos aos grandes monopólios e grupos imperialistas e há uma necessidade de rompimento com essa cadeia."
Foram confirmados atos em 12 cidades brasileiras, sendo 10 capitais. No Norte, em Manaus (AM) e Belém (PA); no Nordeste, em Fortaleza (CE), Natal (RN), Maceió (AL) e Salvador (BA); no Sudeste, em São Paulo (SP), Campinas (SP), Ribeirão Preto (SP) e Rio de Janeiro (RJ); no Sul, em Porto Alegre (RS); e no Centro-Oeste, em Brasília (DF).
Os protestos foram organizados por movimentos sociais e políticos, dentro de uma articulação internacional de solidariedade ao povo venezuelano e de repúdio à escalada militar, econômica e diplomática na região. Estavam previstos atos também em outros países da América Latina.
Recentemente, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou diversas medidas contra a Venezuela, incluindo o suposto sequestro dos políticos em um ataque militar realizado em 3 de janeiro deste ano.
Desde então, outros protestos ocorreram ao redor do mundo, incluindo outro ato em São Paulo, também noticiado pela Sputnik Brasil.
Especialistas alertam que a ação pode abrir precedente para novas intervenções em território latino-americano, sob pretexto de combate ao narcotráfico e "segurança nacional", mesmo sem provas concretas.
De acordo com a mídia, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, deverá informar ao Senado que a presidente interina, Delcy Rodríguez, poderá ser deposta, assim como Maduro, caso não coopere com Trump.
Durante o 14º Encontro Nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), em Salvador (BA), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) manifestou indignação diante da ofensiva americana, classificando-a como desrespeito à integridade territorial e reafirmando que a América do Sul é um "território de paz".