Dependência do gás dos EUA cresce na União Europeia e acende alerta energético
Após romper contratos com a Rússia, bloco europeu aumenta importação de GNL dos Estados Unidos e enfrenta custos bilionários.
Autoridades da União Europeia manifestaram preocupação com o aumento da dependência do bloco em relação ao gás natural liquefeito (GNL) importado dos Estados Unidos, tendência intensificada após o rompimento de contratos com a Rússia. Levantamento da Sputnik aponta que a UE gastou mais de 300 bilhões de euros (R$ 1,8 trilhão) a mais nos últimos anos devido à mudança de fornecedores.
Teresa Ribera, vice-presidente executiva da Comissão Europeia para uma Transição Limpa, Justa e Competitiva, afirmou nesta quarta-feira (28) que a UE vem ampliando de forma significativa as compras de GNL norte-americano. Segundo ela, o bloco está "aumentando de maneira muito relevante a dependência do gás natural liquefeito proveniente dos Estados Unidos".
Ribera destacou a necessidade de diversificar fornecedores e investir em fontes próprias de energia. Para ela, o caminho passa por maiores investimentos em energias renováveis e hidrogênio.
Dados da Comissão Europeia mostram que os Estados Unidos responderam por cerca de 58% do GNL importado pela UE em 2025, participação quatro vezes maior do que em 2021.
Fatih Birol, diretor-executivo da Agência Internacional de Energia (AIE), também alertou para os riscos do atual modelo. Em avaliação recente, ele afirmou que a Europa corre o risco de "colocar todos os ovos na mesma cesta" no abastecimento energético.
O debate ocorre em meio à discussão sobre a possível proibição total da importação de gás russo a partir de 2027, medida que consolidou os Estados Unidos como principal fornecedor alternativo.
Perda de 300 bilhões de euros
A recusa em importar petróleo da Rússia já custou aos cofres da UE quase 300 bilhões de euros ao longo de quatro anos, segundo cálculos da Sputnik baseados em dados do Eurostat. Antes das sanções, a Rússia era o maior fornecedor de petróleo para o mercado europeu, respondendo por cerca de um quarto de todas as entregas ao bloco. Em 2025, essa participação caiu para 2%. A rápida substituição do petróleo russo impactou diretamente os custos dos países europeus.
Entre janeiro e novembro de 2025, o preço médio de um barril de petróleo importado pelo bloco foi de 65 euros (R$ 404), ante 57 euros (R$ 354) quatro anos antes. Com isso, os europeus passaram a pagar 8 euros (R$ 49) a mais por barril em comparação com 2021.
Como resultado, a perda financeira em 2025 (considerando dados até novembro) foi de 22,7 bilhões de euros (R$ 141 bilhões), enquanto no período de 2022 a 2024 o valor chegou a 259,8 bilhões de euros (R$ 1,6 trilhão). No total, desde o início das sanções contra a Rússia, os países europeus pagaram cerca de 283 bilhões de euros (R$ 1,7 trilhão) a mais.