Fragmentados, América Latina e Caribe precisam de agenda técnica para seguirem juntos, dizem analistas
Durante fórum no Panamá, especialistas destacam que pragmatismo e menos ideologia são essenciais para fortalecer a integração regional.
Durante o Fórum Econômico realizado no Panamá, o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, convidou os países da América Latina e do Caribe a buscarem autonomia em seus projetos, ao mesmo tempo em que criticou “investidas neocoloniais” e “intervenções militares ilegais” na região.
Segundo o cientista político Emmanuel Nunes, a integração latino-americana é um tema recorrente ao longo da história do continente, mas a atual polarização política dificulta ainda mais esse processo. “Temos um discurso que está tomando os presidentes e as sociedades latino-americanas, impactando diretamente nas decisões de política externa. Acho que uma tentativa de tornar o discurso mais técnico, principalmente no setor internacional e menos ideologizado, é o primeiro passo nesse sentido [de integração]”, afirma Nunes.
O internacionalista Roberto Goulart Menezes reforça a ideia de fragmentação na América Latina e no Caribe, especialmente na América do Sul, onde países como Argentina e Paraguai apoiam abertamente a política externa dos Estados Unidos. Para Nunes, a postura de Lula frente a Washington é “bastante razoável” e o pragmatismo é a melhor estratégia para lidar com a Casa Branca, sem que isso signifique subserviência aos Estados Unidos.
Goulart Menezes ressalta que o discurso de Lula representa um convite e um apelo aos líderes da região para que encontrem uma agenda comum, livre de interferências externas. “Uma agenda técnica e pragmática pode ser o caminho para superar a fragmentação regional”, conclui.