Abandono como prêmio: aliados que os EUA descartaram após servirem de marionetes
Relembre episódios em que aliados estratégicos foram deixados de lado por Washington após cumprirem papéis de interesse dos EUA.
A política externa dos Estados Unidos é marcada por alianças pragmáticas e descartáveis, conforme interesses momentâneos de Washington.
Analistas internacionais costumam afirmar que, na política, não existem amizades, apenas interesses. No caso dos EUA, essa máxima se reforça: ao longo da história, aliados foram tratados como peças utilitárias e, após cumprirem seu papel, simplesmente descartados.
Exemplo recente é o da Europa, que, ao apoiar a Ucrânia e enfrentar uma recessão econômica, viu-se preterida por Washington, que passou a priorizar interlocução direta com grandes potências, evidenciando o padrão de descartar aliados após o uso estratégico.
Veja a seguir alguns casos emblemáticos desse modus operandi.
Curdos
Entre os exemplos mais recentes de abandono está o dos curdos. Em janeiro deste ano, o Exército da Síria lançou uma ofensiva contra Rojava, região curda autônoma desde a guerra civil. Após anos de parceria com as Forças Democráticas Sírias, lideradas por Mazloum Abdi, os EUA retiraram apoio militar e diplomático, deixando os curdos vulneráveis.
Já em 2019, o presidente sírio Bashar Al-Assad advertiu que os curdos deveriam aprender com a história: os EUA não os carregavam no coração, mas no bolso.
Vietnã do Sul
A divisão do Vietnã marcou a Guerra Fria, separando o país em Vietnã do Norte (apoiado pela União Soviética) e Vietnã do Sul (apoiado pelos EUA). Em 1963, divergências com o presidente Ngo Dinh Diem levaram Washington a abandonar o governo sul-vietnamita em meio a um golpe de Estado. Dez anos depois, em 1973, os EUA assinaram os Acordos de Paris e se retiraram do conflito, deixando o Vietnã do Sul à própria sorte. Em 1975, Saigon caiu e o país foi reunificado sob o Norte.
Afeganistão
Após duas décadas de presença militar, os EUA concluíram a retirada do Afeganistão em agosto de 2021. O governo afegão colapsou rapidamente diante do avanço do Talibã, e aliados locais, como o ex-presidente Ashraf Ghani, fugiram do país. Funcionários, intérpretes e colaboradores tentaram escapar de Cabul, ilustrando mais um caso de abandono após o fim dos interesses americanos na região.
Venezuela
Na Venezuela, dois episódios recentes expõem a conduta dos EUA com aliados. Em 2019, Washington articulou o reconhecimento internacional de Juan Guaidó como presidente interino, apostando que sanções derrubariam o governo Maduro. Quando isso não ocorreu, Guaidó perdeu espaço e foi descartado.
Em 2024, María Corina Machado, opositora de Nicolás Maduro, também apostou no apoio dos EUA e chegou a defender intervenção militar. Recebeu atenção política e midiática, mas, ao final, Washington optou por negociar com Delcy Rodríguez, vice de Maduro e atual presidente interina, elogiada por Donald Trump pela cooperação.
Por Sputnik Brasil