GEOPOLÍTICA INTERNACIONAL

Abandono como prêmio: aliados que os EUA descartaram após servirem de marionetes

Relembre episódios em que aliados estratégicos foram deixados de lado por Washington após cumprirem papéis de interesse dos EUA.

Publicado em 29/01/2026 às 16:20
Episódios históricos mostram aliados sendo descartados pelos EUA após servirem a seus interesses. © AP Photo / Sargento Lexie West

A política externa dos Estados Unidos é marcada por alianças pragmáticas e descartáveis, conforme interesses momentâneos de Washington.

Analistas internacionais costumam afirmar que, na política, não existem amizades, apenas interesses. No caso dos EUA, essa máxima se reforça: ao longo da história, aliados foram tratados como peças utilitárias e, após cumprirem seu papel, simplesmente descartados.

Exemplo recente é o da Europa, que, ao apoiar a Ucrânia e enfrentar uma recessão econômica, viu-se preterida por Washington, que passou a priorizar interlocução direta com grandes potências, evidenciando o padrão de descartar aliados após o uso estratégico.

Veja a seguir alguns casos emblemáticos desse modus operandi.

Curdos

Entre os exemplos mais recentes de abandono está o dos curdos. Em janeiro deste ano, o Exército da Síria lançou uma ofensiva contra Rojava, região curda autônoma desde a guerra civil. Após anos de parceria com as Forças Democráticas Sírias, lideradas por Mazloum Abdi, os EUA retiraram apoio militar e diplomático, deixando os curdos vulneráveis.

Já em 2019, o presidente sírio Bashar Al-Assad advertiu que os curdos deveriam aprender com a história: os EUA não os carregavam no coração, mas no bolso.

Vietnã do Sul

A divisão do Vietnã marcou a Guerra Fria, separando o país em Vietnã do Norte (apoiado pela União Soviética) e Vietnã do Sul (apoiado pelos EUA). Em 1963, divergências com o presidente Ngo Dinh Diem levaram Washington a abandonar o governo sul-vietnamita em meio a um golpe de Estado. Dez anos depois, em 1973, os EUA assinaram os Acordos de Paris e se retiraram do conflito, deixando o Vietnã do Sul à própria sorte. Em 1975, Saigon caiu e o país foi reunificado sob o Norte.

Afeganistão

Após duas décadas de presença militar, os EUA concluíram a retirada do Afeganistão em agosto de 2021. O governo afegão colapsou rapidamente diante do avanço do Talibã, e aliados locais, como o ex-presidente Ashraf Ghani, fugiram do país. Funcionários, intérpretes e colaboradores tentaram escapar de Cabul, ilustrando mais um caso de abandono após o fim dos interesses americanos na região.

Venezuela

Na Venezuela, dois episódios recentes expõem a conduta dos EUA com aliados. Em 2019, Washington articulou o reconhecimento internacional de Juan Guaidó como presidente interino, apostando que sanções derrubariam o governo Maduro. Quando isso não ocorreu, Guaidó perdeu espaço e foi descartado.

Em 2024, María Corina Machado, opositora de Nicolás Maduro, também apostou no apoio dos EUA e chegou a defender intervenção militar. Recebeu atenção política e midiática, mas, ao final, Washington optou por negociar com Delcy Rodríguez, vice de Maduro e atual presidente interina, elogiada por Donald Trump pela cooperação.

Por Sputnik Brasil