FISCALIZAÇÃO E ENERGIA

TCU dá 15 dias para Aneel se manifestar sobre solução consensual para usinas da Eneva

Tribunal de Contas da União cobra resposta da Aneel sobre flexibilização contratual das termoelétricas Maranhão III, MC2 Nova Venécia 2, Azulão II e Azulão IV, diante de controvérsias envolvendo inflexibilidade na geração de energia.

Publicado em 29/01/2026 às 16:22
TCU dá 15 dias para Aneel se manifestar sobre solução consensual para usinas da Eneva Reprodução

O presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), Vital do Rêgo, determinou que a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) se manifeste, em até 15 dias, sobre a possibilidade de uma solução consensual para os contratos de quatro usinas termoelétricas operadas pela Eneva. O prazo começa a contar a partir do recebimento do despacho, assinado na quarta-feira, 28.

O processo envolve controvérsias nos contratos das usinas Maranhão III - Parnaíba II; MC2 Nova Venécia 2 - Parnaíba VI; Azulão II e Azulão IV. As duas primeiras estão localizadas em Santo Antônio dos Lopes (MA), enquanto Azulão II e Azulão IV ficam em Silves (AM).

Além de avaliar a participação em uma comissão de solução consensual no TCU, a Aneel deverá informar se existem estudos sobre as usinas que poderiam ser desligadas em caso de redução da inflexibilidade contratual. Também será necessário detalhar qual seria o montante de redução dessa inflexibilidade, ponto central da controvérsia envolvendo as usinas da Eneva.

A inflexibilidade na geração de energia elétrica significa que uma usina não pode ajustar sua produção conforme a demanda do sistema, mantendo o volume de geração previsto em contrato. Alterações nesse cenário exigem mudanças contratuais.

A solicitação por uma solução consensual foi feita pelo ministro de Minas e Energia (MME), Alexandre Silveira, em outubro de 2025, para tratar das controvérsias envolvendo as quatro usinas. O ministério argumenta que flexibilizar os contratos é um "elemento-chave para preservar a eficiência do Sistema Interligado Nacional em cenário de excedentes energéticos", conforme consta no despacho do TCU.

O problema está relacionado aos cortes de geração, conhecidos como curtailment. Segundo o MME, a expansão de fontes renováveis intermitentes, como solar e eólica, provocou uma "sobreoferta estrutural" em determinados períodos do dia, exigindo interrupções frequentes em alguns empreendimentos.

Devido a limitações na infraestrutura de transmissão e no equilíbrio entre oferta e demanda, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) precisa de maior flexibilidade para gerenciar a entrada e saída de usinas na geração de energia. No caso das usinas da Eneva, a inflexibilidade contratual garante previsibilidade para contratos de combustível e receita estável aos geradores.