Feminicídios sobem 8,1% em um ano e batem recorde em SP
Estado de São Paulo registra maior número de feminicídios desde 2018, com 266 casos em 2025; capital tem alta de 22,4%.
O Estado de São Paulo registrou um aumento de 8,1% nos casos de feminicídio em 2025, alcançando o maior índice desde o início da série histórica, em 2018. Foram 266 ocorrências, 20 a mais do que em 2024, conforme dados da Secretaria da Segurança Pública (SSP) divulgados pela Folha de S.Paulo e confirmados pelo Estadão.
Em entrevista recente ao Estadão, o novo titular da SSP, delegado Osvaldo Nico Gonçalves, afirmou que o combate aos crimes contra mulheres será prioridade na gestão. "É um crime muito difícil de ser combatido, porque ocorre dentro de casa", declarou.
Entre as iniciativas destacadas pelo governo estadual estão o aplicativo Mulher Segura e a criação, em 2023, da Secretaria de Políticas para a Mulher, voltada à estruturação de uma política integrada e permanente de prevenção, proteção e resposta rápida às vítimas.
Dezembro foi o mês mais violento do ano, com 33 casos registrados, marcado pelo feminicídio de Tainara Santos, de 31 anos, morta na véspera do Natal após ser atropelada e arrastada por cerca de um quilômetro na Marginal Tietê, zona norte da capital.
Segundo as investigações, o suspeito, Douglas Silva, teve um relacionamento anterior com a vítima e, ao vê-la com outro homem em um bar, avançou com o carro contra ela. A defesa afirma que ele é réu confesso, mas nega envolvimento prévio entre os dois.
Na capital paulista, o aumento dos feminicídios foi ainda mais expressivo: os registros subiram de 49, em 2024, para 60 em 2025, uma alta de 22,4%.
Dados nacionais também apontam crescimento. Segundo balanço do Ministério da Justiça e Segurança Pública, o Brasil registrou 1.470 feminicídios em 2025, mesmo com os dados de dezembro ainda incompletos — média de quatro vítimas por dia. Desde 2015, quando o feminicídio foi tipificado, já são 13.448 casos no país.
Estupros caem, mas permanecem em nível elevado
Em 2025, São Paulo contabilizou 14.443 casos de estupro, uma redução de 0,9% em relação aos 14.579 registros de 2024. Apesar da queda, o número ainda é considerado elevado, com quase 40 casos por dia.
Na capital, a redução foi de 2,5%: foram 2.934 ocorrências, ante 3.012 no ano anterior. O levantamento considera apenas crimes oficialmente registrados em boletins de ocorrência.
A SSP ressalta que tem intensificado ações para combater a violência contra a mulher, como o monitoramento de agressores por tornozeleiras eletrônicas. Desde 2023, 1,1 mil homens foram monitorados, e 112 acabaram presos por descumprimento de medidas protetivas.
Outras medidas incluem grandes operações para prender agressores — 1,1 mil suspeitos foram presos em flagrante nos últimos dois meses — e o fortalecimento do App Mulher Segura, que já soma mais de 45 mil usuárias e 7 mil acionamentos do botão do pânico.
A pasta também destaca o movimento SP por Todas, criado para ampliar o acesso das mulheres à rede de proteção e acolhimento, e o auxílio-aluguel, que já beneficia 4 mil mulheres vítimas de violência doméstica em 582 municípios. Atualmente, o Estado conta com 142 Delegacias de Defesa da Mulher (DDM) e 170 Salas DDM 24h em funcionamento.