Saldo de empregos em 2025 reflete impacto dos juros altos, afirma Marinho
Ministro do Trabalho critica postura conservadora do Banco Central e projeta cenário cauteloso para 2026
O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, afirmou nesta quinta-feira (29) que o saldo do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) em 2025 está "compatível com o maior juro real do mundo", excetuando a Rússia, atualmente em guerra.
Em 2025, o saldo de empregos foi de 1.279.498 postos de trabalho, número levemente abaixo da projeção intermediária de abertura líquida de 1,4 milhão de vagas. Esse resultado representa um crescimento de 2,71%, inferior ao observado em 2024 (3,69%) e 2023 (3,30%). Trata-se do pior desempenho anual desde o início da série histórica atual, em 2020, ano em que o país fechou 189.393 postos de trabalho devido à pandemia.
Marinho aproveitou para renovar críticas ao Banco Central (BC), destacando que já vinha alertando sobre a desaceleração do ritmo de crescimento econômico. “Não se trata de desaquecimento da economia, felizmente. Não se trata de queda na economia, mas sim de uma redução no ritmo do crescimento”, pontuou.
Sobre a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), na quarta-feira (28), de manter a Selic em 15% ao ano, Marinho comentou que a medida era esperada, mas avaliou que os cortes nos juros têm ocorrido com atraso.
Projeções para 2026
O ministro afirmou que a atuação do BC pode comprometer parte do desempenho econômico em 2026, “por responsabilidade exclusiva do monitoramento que o Banco Central faz, e acho que faz de forma muito conservadora”.
Marinho demonstrou otimismo em relação ao primeiro trimestre de 2026, citando o aumento real do salário mínimo e a entrada em vigor da isenção do Imposto de Renda (IR) como fatores que podem sustentar o crescimento econômico. “Espero que isso ajude a segurar a economia”, declarou.
Ele também destacou medidas do governo, como a liberação de R$ 3,8 bilhões do Fundo de Garantia retido em 29 de dezembro e, em 12 de fevereiro, a liberação de mais R$ 3,911 bilhões da segunda etapa dos recursos do saque-aniversário.
PAT e vale-alimentação
Luiz Marinho comentou ainda sobre a judicialização das mudanças no vale-alimentação (VA) e vale-refeição (VR), classificando como "um direito dos esperneantes" a entrada de empresas na Justiça contra as alterações. “Sempre é permitido espernear à vontade. Mas liminares foram feitas para serem derrubadas no Judiciário. Infelizmente, muitos magistrados, em vez de analisar a fundo as polêmicas, acabam tomando decisões com leitura superficial do que está em debate”, afirmou a jornalistas. “As instâncias superiores farão os ajustes necessários”, completou.
Recentemente, empresas como Ticket, VR e Pluxee conquistaram decisões judiciais para suspender penalidades previstas no decreto que reformulou o Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT). O novo decreto entra em vigor em 9 de fevereiro, motivando uma corrida por liminares, algumas favoráveis às empresas incumbentes.