SEGURANÇA URBANA

Presença da Guarda Civil fragmenta Cracolândia e usuários ocupam novos pontos em SP

Ação da GCM dispersa concentração histórica de dependentes químicos no centro, que migram para outros bairros

Por Sputinik Brasil Publicado em 29/01/2026 às 18:30
Guarda Civil intensifica patrulhamento e dispersa usuários de crack no centro de São Paulo. © Sputnik / Guilherme Correia

A tradicional Cracolândia no centro de São Paulo deixou de ser um ponto fixo de consumo e tráfico de crack, como historicamente registrado na rua dos Protestantes e arredores, na região da Luz.

De acordo com balanços do governo estadual e da prefeitura, desde maio de 2025 a concentração de usuários foi progressivamente esvaziada. A área que abrigava a cena aberta do uso de drogas quase não registra mais grupos de dependentes em grande escala — as contagens diárias caíram de centenas para menos de 100 pessoas.

Durante visita realizada nesta quinta-feira (29), a reportagem da Sputnik Brasil não encontrou dependentes químicos nas imediações.

Segundo relatos de transeuntes, a presença ostensiva de agentes da Guarda Civil Metropolitana (GCM) nas ruas tem inibido a permanência de usuários, que temem abordagens e possíveis agressões.

No entanto, a dependência química persiste. Grupos de usuários migraram para outros pontos do centro e bairros próximos, como Minhocão, Santa Cecília e áreas sob viadutos, caracterizando um processo de dispersão da cena antes concentrada. A Praça Roosevelt, conhecida por sua vida noturna, também passou a registrar a presença de pessoas em situação de rua e consumo coletivo de drogas, segundo apuração da Sputnik Brasil.

Moradores também mencionaram a presença de usuários em bairros como Barra Funda, Santa Ifigênia, além de periferias e favelas, incluindo pequenas comunidades na Vila Mariana, zona sul da capital.

Ao longo das últimas décadas, a Cracolândia se deslocou por diferentes pontos do centro de São Paulo. Nos anos 1990 e 2000, locais como a praça Princesa Isabel, alameda Dino Bueno e alameda Cleveland foram palco de cenas abertas de consumo. Mais recentemente, até o esvaziamento de 2025, a rua dos Protestantes e adjacências — incluindo as ruas Helvétia e Gustavo Schmidt — concentravam o maior número de usuários, atraindo atenção nacional e internacional.

O que diz o governo de SP?

O centro de São Paulo completa quase um ano sem a chamada Cracolândia no entorno da rua dos Protestantes. A mudança é resultado de uma ação conjunta entre governo estadual, prefeitura e governo federal, que reuniu medidas de saúde pública e segurança na região central.

Segundo dados oficiais, o Hub de Cuidados em Crack e Outras Drogas, principal equipamento público de atendimento a dependentes químicos, já assistiu mais de 35 mil pessoas desde 2023, realizando mais de 28,8 mil encaminhamentos para serviços especializados, como hospitais e centros terapêuticos.

O processo de esvaziamento, iniciado em maio de 2025, incluiu a desarticulação de imóveis usados para consumo de drogas e resultou em expressiva redução das ocorrências criminais na área, conforme autoridades.

Dados da Secretaria da Segurança Pública apontam queda superior a 63% nos casos de roubos e quase 30% nos furtos na região entre 2022 e 2025.