MERCADO FINANCEIRO

Dólar fecha abaixo de R$ 5,20 em dia de alta volatilidade

Moeda americana recua 0,25% e atinge menor valor desde maio, influenciada por cenário internacional e fluxo para emergentes.

Publicado em 29/01/2026 às 18:39
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Após oscilar mais de oito centavos entre a mínima de R$ 5,1659 e a máxima de R$ 5,2488, o dólar à vista encerrou o pregão cotado a R$ 5,1936, com queda de 0,25%. No acumulado da semana, a moeda já registra perda de 1,75% e, em janeiro, o recuo chega a 5,38%. É a primeira vez que o dólar fecha abaixo de R$ 5,20 desde 28 de maio de 2024.

Segundo operadores, embora indicadores domésticos como o resultado primário do governo central e os dados de emprego do Caged tenham relevância, as negociações no câmbio foram novamente guiadas pela dinâmica global das moedas. As commodities voltaram a subir, impulsionadas por um avanço de quase 4% nos preços do petróleo, diante das ameaças militares dos EUA ao Irã.

Pela manhã, o dólar chegou a tocar R$ 5,16, mas subiu até R$ 5,25 no início da tarde, refletindo o aumento da aversão ao risco após queda acentuada das bolsas em Nova York. Com a redução do estresse no exterior, a moeda americana voltou a recuar globalmente, movimento que se refletiu na taxa de câmbio doméstica.

O ambiente favorável para moedas emergentes tende a beneficiar o real no curto prazo, especialmente pela atratividade do carry trade, apesar do sinal do Copom de que o ciclo de cortes de juros pode começar em março. As apostas do mercado se dividem entre uma redução inicial de 0,25 ou 0,50 ponto percentual.

Mesmo com o tom cauteloso do Federal Reserve na quarta-feira, permanece a possibilidade de novos cortes de juros nos EUA ao longo do ano, sobretudo após a troca de comando na instituição. Jerome Powell deixa o cargo em maio, sendo substituído por um nome indicado pelo presidente Donald Trump.

Estratégias do Citi apontam o real como bem posicionado no curto prazo, mantendo posição vendida em euro frente à moeda brasileira. “Historicamente, o real tende a se valorizar antes do primeiro corte de juros, mas pode enfrentar desafios conforme a extensão do ciclo”, dizem os estrategistas. “Com as eleições se aproximando na segunda metade do ano, também esperamos um ambiente menos favorável para a moeda.”

Para Ricardo Chiumento, superintendente da Tesouraria do BS2, a fraqueza global do dólar resulta de um movimento especulativo “exagerado”, sustentado pela perspectiva de desaceleração da economia dos EUA diante da política econômica e diplomática incerta de Trump e do risco de nova paralisação do governo americano.

“Esse movimento de perda do dólar é um exagero, mesmo com o próprio Trump afirmando que a desvalorização não preocupa. A atividade econômica dos EUA segue resiliente”, avalia Chiumento, citando dados robustos das encomendas à indústria americana em novembro, divulgados nesta quinta-feira, 29.

Segundo o tesoureiro, a recente valorização do real reflete o comportamento global das moedas e a migração de investimentos para ativos emergentes, o que explica o forte fluxo estrangeiro para a Bolsa brasileira.

“Não há fatores domésticos que justifiquem o desempenho do real. Trata-se de uma fuga global do dólar. Porém, podemos observar mais volatilidade devido ao ciclo de corte da Selic, que pode começar com redução de 0,50 ponto percentual, e ao processo eleitoral”, conclui Chiumento.