MERCADO FINANCEIRO

Taxas de juros futuras recuam com expectativa de corte da Selic e dados do Caged

Curva de juros tem sétimo dia seguido de queda, impulsionada por sinalização do Copom e saldo negativo de empregos formais em dezembro

Publicado em 29/01/2026 às 18:42
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Após um período de cautela devido à elevação das tensões entre Estados Unidos e Irã, o mercado de juros futuros voltou a registrar queda na segunda metade do pregão desta quinta-feira, marcando o sétimo recuo consecutivo na curva a termo.

O movimento foi impulsionado pelos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), que apontaram uma perda líquida de vagas formais em dezembro superior ao esperado, reforçando o otimismo dos investidores em relação ao início do ciclo de afrouxamento monetário.

O principal fator para o ajuste foi a sinalização clara do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, que indicou a possibilidade de corte da Selic em março, caso o cenário econômico se mantenha. Com isso, grandes investidores voltaram a apostar em contratos futuros de Depósito Interfinanceiro (DI), e as expectativas de uma redução de 0,50 ponto percentual na taxa básica de juros ganharam força. O recuo do dólar ao longo da tarde também contribuiu para o alívio nos juros futuros.

No fechamento, a taxa do DI para janeiro de 2027 caiu de 13,526% para 13,475%. O DI para janeiro de 2029 recuou de 12,792% para 12,695%, enquanto o DI para janeiro de 2031 passou de 13,102% para 13,06%.

O dia começou com queda generalizada dos DIs, após o Banco Central emitir um comunicado considerado mais explícito sobre a possibilidade de flexibilização da política monetária. O texto que acompanhou a decisão de manter a Selic em 15% destacou que "o Comitê antevê, em se confirmando o cenário esperado, iniciar a flexibilização da política monetária em sua próxima reunião".

Durante a tarde, o dólar chegou a subir, refletindo o mau humor do mercado internacional diante das tensões entre Washington e Teerã, o que reduziu o ritmo de queda dos juros. Porém, a divulgação dos dados do Caged pelo Ministério do Trabalho, às 14h30, trouxe novo impulso de baixa: em dezembro, houve perda líquida de 618.164 vagas com carteira assinada, bem acima da expectativa de saldo negativo de 481.300 postos, segundo o Projeções Broadcast.

De acordo com cálculos do Inter, ajustados sazonalmente, o saldo de empregos celetistas ficou próximo de zero em dezembro. "O resultado do Caged reforça o cenário antecipado pelo Copom, que deve iniciar o ciclo de cortes em março", avalia o economista André Valério.

Para Gustavo Cruz, estrategista-chefe da RB Investimentos, o principal fator para a movimentação dos DIs foi a indicação do Copom, e não o dado do Caged. "Ficou claro que o corte começará em março, e isso explica o ajuste imediato da curva de juros. A discussão agora é se o corte inicial será de 0,25 ou 0,50 ponto percentual", afirma Cruz, que projeta a Selic em 11,5% ao final de 2026.

Segundo Luciano Rostagno, estrategista-chefe da EPS Investimentos, a curva precificava, à tarde, 80% de chance de corte de 0,50 ponto na Selic em março, contra 20% para um corte de 0,25 ponto. A expectativa para a Selic terminal em 2026 também recuou, passando de 11,95% para 11,85% entre o início e o fim do pregão.

Com a proximidade do ciclo de corte de juros, o Citi informou ter retomado posições aplicadas nos DIs de janeiro de 2029, esperando um corte de 25 pontos-base na reunião de março.

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