PT pressiona por redução da Selic e aponta disputa estrutural contra rentismo
Resolução do Diretório Nacional do PT destaca cenário econômico favorável, critica juros altos e cita caso Master como exemplo de desafios enfrentados pelo governo.
O Diretório Executivo Nacional do PT divulgou nesta quinta-feira, 29, uma resolução em que defende a necessidade de redução da taxa básica de juros (Selic), argumentando que o desempenho econômico do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva justifica uma Selic menor. Segundo o partido, a diminuição dos juros permitiria a economia de bilhões de reais, recursos que poderiam ser destinados a investimentos públicos.
"Diante desse cenário favorável, é mais do que necessário iniciar o processo da queda da taxa de juros, que poupará bilhões de reais para os cofres públicos, que devem ser redirecionados para ampliar os investimentos públicos no país e, com isso, alavancar mais crescimento econômico", afirma a resolução, que também aborda o panorama político e eleitoral para 2026.
A Executiva Nacional do PT avalia que a gestão de Lula recolocou o Brasil "no rumo do crescimento com distribuição de renda, justiça social e responsabilidade fiscal". O partido também destacou como conquista a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, medida que deve ser usada como trunfo nas próximas eleições.
"A ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5.000 e a maior progressividade tributária, com aumento da contribuição dos super-ricos, representam uma conquista histórica na construção da justiça fiscal em nosso país. A retomada de políticas públicas, a reconstrução de programas sociais, o fortalecimento do papel do Estado e a valorização do trabalho demonstram que é possível governar com responsabilidade econômica e compromisso social", diz o documento.
O partido atribui a manutenção dos juros elevados à "pressão do rentismo" e cita o escândalo do Banco Master como exemplo de corrupção e de "promiscuidade entre o mercado e o crime organizado". Para o PT, há uma disputa estrutural contra "forças poderosas" que resistem às mudanças propostas.
"A pressão do rentismo por juros elevados, os escândalos financeiros, como o do Banco Master e outros, que expõem a corrupção e a promiscuidade entre parte do mercado e o crime organizado, saqueando recursos públicos, a atuação desregulada das big techs disseminando desinformação e ódio político e a permanente ofensiva da extrema direita revelam que a disputa em curso é estrutural", aponta a resolução.
Sem mencionar diretamente nomes do Congresso Nacional, o PT também critica a atuação dessas "forças poderosas" para derrubar vetos do presidente Lula a projetos que contrariam interesses do governo, como o Licenciamento Ambiental, além de apontar a "crescente captura do orçamento" por meio das emendas parlamentares.
Cenário internacional e críticas aos EUA
A resolução do PT ainda condena a operação militar dos Estados Unidos que resultou na captura do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e de sua esposa, Cília Flores, em 3 de junho. Para o partido, a ação foi um "sequestro" promovido pelo presidente norte-americano Donald Trump, que, segundo o texto, enfrenta um "acelerado processo de perda de hegemonia global". O documento também critica a pressão de Trump pela anexação da Groenlândia e o apoio dele às campanhas de Israel sob o comando de Benjamin Netanyahu.
"O cenário internacional também está marcado por uma intensificação inaceitável das ações intervencionistas do governo de Donald Trump, dos Estados Unidos, que, em meio a uma crise de sua economia e ao acelerado processo de perda de hegemonia global, adotou uma conduta cada vez mais beligerante e neoimperialista, que se traduziu em uma intervenção militar na Venezuela e no sequestro do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cília Flores", conclui a resolução.