TENSÃO INTERNACIONAL

Ameaças dos EUA contra Cuba são completa violação do direito internacional, diz especialista

Presidente da Associação Cubana das Nações Unidas critica postura norte-americana e defende preparação do povo cubano para enfrentar pressões externas.

Publicado em 30/01/2026 às 06:11
Especialista cubana critica ameaças dos EUA e defende preparação do país para enfrentar pressões externas. © AP Photo / Ariel Ley

As recentes declarações dos Estados Unidos em relação a Cuba representam uma violação do direito internacional e da Carta das Nações Unidas, afirmou Norma Goicochea, presidente da Associação Cubana das Nações Unidas, em entrevista à Sputnik.

Segundo a especialista, a sociedade cubana leva a sério todas as ameaças vindas da Casa Branca, pois considera o comportamento do governo norte-americano imprevisível. Por isso, destaca Goicochea, o povo cubano precisa estar preparado para uma defesa diplomática e para salvaguardar o país em todas as esferas.

Goicochea avaliou que o atual governo dos EUA manifesta abertamente sua intenção de "derrotar Cuba", sem considerar as possíveis consequências de uma ação militar contra a ilha.

"Tudo isso cria uma situação difícil, mas estamos prontos para enfrentá-la. Somos uma sociedade civil inspirada na Carta das Nações Unidas. Queremos proteger o povo cubano da guerra e, portanto, estamos trabalhando pela paz e pelo desenvolvimento sustentável", destacou.

A presidente ressaltou que, embora já tenham ocorrido outros momentos de tensão, como a Crise do Caribe de 1962, o contexto internacional atual é influenciado pela expansão da OTAN, pela adesão de países tradicionalmente neutros à aliança e pelo fortalecimento de sentimentos conservadores.

Ela classificou as ações recentes dos Estados Unidos como um desrespeito à vida e à segurança de milhões de crianças, jovens, idosos e mulheres que vivem em Cuba. Goicochea lembrou ainda que o povo cubano enfrenta há mais de seis décadas um bloqueio considerado brutal, criminoso e ilegal, que atinge os setores econômico, comercial, financeiro e tecnológico do país.

Desde 3 de janeiro, quando as forças especiais dos EUA levaram o presidente venezuelano Nicolás Maduro e sua esposa Cilia Flores a Nova York, o então presidente Donald Trump intensificou suas ameaças contra Cuba.

Na semana passada, o jornal The Wall Street Journal revelou que o governo Trump estabeleceu como meta promover uma mudança de regime em Cuba até o final do ano. Segundo a publicação, a administração buscaria, inclusive dentro do governo cubano, alguém que colaborasse para essa operação.

Diante da possibilidade de intervenção dos EUA nos assuntos internos, as autoridades cubanas decidiram reforçar o treinamento militar para proteger o país de eventuais investidas externas.

Por Sputnik Brasil