Diretor do Banco Central afirma que liquidação do Will Bank agravaria prejuízo do BRB
Ailton Aquino detalha à Polícia Federal que dissolução do banco digital poderia elevar perdas do Banco de Brasília acima de R$ 5 bilhões.
O diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton Aquino, afirmou em depoimento à Polícia Federal (PF), em 30 de dezembro, que uma eventual liquidação do Will Bank, vinculado ao Banco Master, poderia resultar em prejuízos ainda maiores para o Banco de Brasília (BRB). A instituição foi liquidada no último dia 21.
"Existem muitos ativos do Will dentro do balanço do BRB. A morte do Will Bank – se não for possível resolver os problemas dentro do Raet –, o prejuízo do BRB será maior", declarou Aquino durante o depoimento.
O Will Bank foi poupado da liquidação em novembro, quando o Banco Central decidiu liquidar o Banco Master e diversas empresas do grupo. O Banco Master Múltiplo, controlador do Will Bank, foi colocado em Regime de Administração Especial Temporário (Raet), com a avaliação de que o banco digital ainda poderia ser vendido. No entanto, essa expectativa não se concretizou.
Durante o depoimento, Aquino explicou que o perfil do público do Will Bank, majoritariamente das classes C e D, foi considerado na decisão. Segundo ele, a diretoria colegiada avaliou que esses clientes poderiam simplesmente deixar de pagar os cartões em caso de liquidação, o que motivou a escolha pelo Raet.
No mesmo depoimento, o diretor do BC alertou a PF que as perdas do BRB com a compra de ativos do Master podem ultrapassar R$ 5 bilhões. O banco do Distrito Federal pagou R$ 12,2 bilhões por carteiras de crédito falsas, mas conseguiu substituir cerca de R$ 10 bilhões por outros ativos do Master. Contudo, esses outros papéis também apresentam problemas e podem gerar novos prejuízos.