Dólar desacelera alta após indicação de Warsh para presidência do Fed
Moeda americana reduz ritmo de valorização ante o real em meio à formação da Ptax e repercussão da escolha de Warsh para o Fed
O dólar opera em alta na manhã desta sexta-feira, 30, acompanhando a valorização da moeda americana frente a pares desenvolvidos (DXY) e moedas emergentes. Contudo, o avanço do dólar ante o real perdeu força, refletindo o movimento internacional após a confirmação de Kevin Warsh como indicado do ex-presidente Donald Trump para a presidência do Federal Reserve (Fed).
A escolha de Warsh gerou ajustes moderados também no mercado de ações. Os índices futuros em Nova York reduziram as perdas, sinalizando que o mercado digere a indicação, embora ainda permaneçam no campo negativo, influenciados também pela divulgação de balanços corporativos.
Donald Trump oficializou a indicação do ex-diretor Kevin Warsh para comandar o Fed. No CME Group, o mercado segue apostando majoritariamente em um corte acumulado de 50 pontos-base nos juros americanos, após o anúncio de Warsh para a liderança da autoridade monetária.
O ajuste de alta do dólar ocorre após uma forte queda acumulada frente ao real, de 1,75% na semana e depreciação de 5,38% em janeiro.
A manhã é marcada por uma disputa técnica em torno da última taxa Ptax de janeiro, fator que tradicionalmente adiciona volatilidade às operações cambiais.
No cenário doméstico, a taxa de desemprego no Brasil recuou para 5,1% no trimestre encerrado em dezembro, abaixo dos 5,2% registrados até novembro e dos 6,2% do mesmo período de 2024, segundo o IBGE. A renda média real subiu para R$ 3.613, alta de 5,0% em um ano, enquanto a massa de renda atingiu R$ 367,6 bilhões, crescimento de 6,4% na comparação anual.
O setor público consolidado registrou superávit primário de R$ 6,251 bilhões em dezembro, superando as expectativas do mercado, após déficit em novembro, conforme dados do Banco Central. No acumulado de 2025, o setor público fechou com déficit primário de R$ 55,021 bilhões (0,43% do PIB), resultado alinhado com as projeções, porém ligeiramente pior que 2024 (0,40%) e o mais negativo desde 2023 (2,28% do PIB).
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) promoveu um corte unilateral de R$ 6,4 bilhões em emendas aprovadas pelo Congresso Nacional no Orçamento de 2026. O valor refere-se à parcela de emendas "extras", que não são obrigatórias nem possuem transparência quanto à destinação.
Segundo a pesquisa Plano de Voo 2026, da Amcham Brasil, 53% das lideranças empresariais consideram a relação Brasil-EUA como a principal prioridade da política externa do próximo governo, à frente da atração de investimentos e de acordos comerciais.