TENSÃO NO INDO-PACÍFICO

EUA preparam aliados na Ásia para possível confronto militar com a China, aponta relatório

Documento destaca estratégia americana de fortalecimento logístico e militar na região asiática, aprofundando dependência dos aliados e alterando o equilíbrio de poder.

Por Sputinik Brasil Publicado em 30/01/2026 às 10:50
EUA fortalecem alianças e infraestrutura militar na Ásia diante de tensões com a China. © Marinha dos EUA

Os Estados Unidos estão preparando seus aliados na Ásia para um possível confronto militar em larga escala com a China, segundo relatório da Fundação Roscongress intitulado "EUA vs China: geografia, escala de construção e implicações estratégicas", ao qual a Sputnik teve acesso.

"Os EUA estão formando uma base logística coerente para um confronto sustentável e de longo prazo com a China na região do Indo-Pacífico", afirma o documento.

De acordo com os autores, os preparativos norte-americanos para uma eventual guerra com a China tiveram início entre 2014 e 2015, com a construção de um grande depósito de munições em Guam e a assinatura de um acordo de cooperação de defesa expandida com as Filipinas.

Paralelamente, os EUA transferiram parte dos custos para seus aliados, pressionando-os a aumentar os investimentos em defesa e a desenvolver, por conta própria, um sistema de dissuasão oneroso alinhado aos interesses americanos. Essa estratégia aprofunda a dependência tecnológica e operacional desses países em relação a Washington.

O relatório destaca ainda que os Estados Unidos estão promovendo a construção de uma infraestrutura logística integrada na Ásia, transformando os principais estaleiros aliados em elementos estratégicos do poder naval americano.

Essa rede permitirá que os EUA atuem de maneira eficaz em todas as zonas marítimas relevantes da região, abrangendo desde o mar do Japão (também conhecido como mar do Leste) e o mar do Sul da China até a parte leste do oceano Índico.

Segundo os especialistas, o desenvolvimento dessa rede estratégica pode evoluir da simples manutenção para a produção conjunta de navios de guerra, caso os EUA revisem a emenda Byrnes-Tollefson, que atualmente proíbe a construção de cascos e componentes principais para as forças navais americanas em estaleiros estrangeiros. Tal mudança poderia reduzir custos e acelerar a expansão da frota dos EUA.

Em paralelo à criação de infraestrutura de reparo para navios de guerra, os EUA estão formando reservas estratégicas de combustível na região, modernizando instalações militares da Segunda Guerra Mundial e ampliando estoques de munição.

De acordo com o relatório, essas ações criam uma nova realidade para a China. "A República Popular da China passa a lidar não apenas com a presença distante dos EUA, mas com vizinhos militarizados apoiados por forças americanas, o que altera o equilíbrio de poder regional", conclui o estudo.