SEGURANÇA PÚBLICA

Operação mira disputa entre PCC e Comando Vermelho no interior de SP; quatro são presos

Ação conjunta do MP-SP e Polícia Militar combate escalada de violência entre facções rivais em cidades do interior paulista

Publicado em 30/01/2026 às 10:58
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) deflagrou, na quinta-feira (29), uma operação em parceria com a Polícia Militar (PM) para combater suspeitos envolvidos em uma violenta disputa territorial no interior do Estado. O conflito envolve o Primeiro Comando da Capital (PCC), predominante em cidades paulistas, e o Comando Vermelho (CV), facção originária do Rio de Janeiro.

Mandados de busca e apreensão foram cumpridos em municípios como Araras, Piracicaba, Limeira e Rio Claro, regiões que registraram o avanço do chamado Bonde do Magrelo, grupo criminoso local supostamente aliado ao CV. Quatro suspeitos foram presos em flagrante. Seus nomes não foram divulgados, e a reportagem tenta contato com suas defesas.

"Focamos nossos alvos principalmente em membros de organização criminosa ligados à criminalidade ultra-violenta, ou seja, indivíduos que praticam roubos a carro-forte, roubos a banco, tráfico internacional de drogas e homicídios", afirmou o coronel Cleotheos Sabino, comandante do CPI-9 (Comando de Policiamento do Interior Nove) da PM.

Segundo Sabino, as investigações identificaram 26 alvos, todos interligados por disputas de território ou participação em diferentes crimes. A ofensiva também mirou endereços em Americana, Santa Bárbara D'Oeste e Hortolândia.

De acordo com o Ministério Público, o objetivo principal é apreender armas, munições, drogas e dispositivos eletrônicos que possam fornecer provas sobre a estrutura hierárquica e os planos das facções.

Durante o cumprimento dos mandados, foram efetuadas quatro prisões em flagrante: duas em Limeira, uma em Hortolândia e outra em Ibiúna. "Os quatro indivíduos estavam com armas de fogo, e um deles com grande quantidade de droga e dinheiro", detalhou Sabino.

"Todos são integrantes de facções criminosas já identificados pelo Ministério Público e possuem passagens criminais por diversos delitos", acrescentou o coronel. Não houve confrontos durante as prisões.

A Operação Keravnos foi conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do MP-SP em conjunto com o 10° Batalhão de Ações Especiais (BAEP) de Piracicaba. Ao todo, 140 agentes da Polícia Militar participaram da ação.

Escalada de disputas no interior de SP

Conforme o MP, as investigações, formalizadas por Procedimentos Investigatórios Criminais, revelaram que o conflito entre as facções "escalou significativamente após o CV tentar ocupar pontos de venda de entorpecentes anteriormente dominados pelo PCC, instaurando um estado de guerra urbana na região".

O monitoramento policial identificou uma sucessão de crimes violentos desde 2022, incluindo execuções com fuzis, homicídios de lideranças, carbonização de corpos e uma chacina em represália a mortes anteriores.

O Ministério Público afirma que, com a operação do núcleo de Piracicaba do Gaeco, as forças de segurança buscam garantir a ordem pública e conter o "espiral de violência que tem causado pânico na população local".

O balanço parcial da operação aponta apreensão de cerca de R$ 30 mil em espécie, 18 quilos de drogas e pelo menos três armas de fogo, além de computadores e dezenas de celulares, cujas informações devem auxiliar as investigações.

"A Justiça autorizou a quebra do sigilo de dados telemáticos — e-mails, conversas por WhatsApp, entre outros — dos aparelhos apreendidos, medida considerada essencial para interromper o fluxo de ordens de execução, conhecidas como 'salves', emitidas pelas cúpulas das organizações", informou o MP.