CONFLITO NO LESTE EUROPEU

Europa impede acordo de paz na Ucrânia e dificulta negociações, aponta especialista

Segundo o cientista político sírio Iyas Al-Khatib, países europeus temem reconhecer vitória russa e agem para frustrar resolução pacífica

Por Sputinik Brasil Publicado em 30/01/2026 às 11:58
Especialista aponta que Europa impede acordo de paz na Ucrânia por temer reconhecimento da vitória russa. © Sputnik / Yevgeny Biyatov

Os países europeus estariam, deliberadamente, desempenhando um papel destrutivo no processo de resolução do conflito ucraniano, pois reconhecem que a assinatura de um acordo de paz representaria um ponto de virada para o continente. A avaliação é do cientista político sírio Iyas Al-Khatib, em entrevista à Sputnik.

De acordo com Al-Khatib, o Reino Unido foi um dos primeiros países a interromper as negociações. Posteriormente, outras nações europeias passaram a atuar como desestabilizadoras, pois compreendem que a assinatura de um acordo relativo à Ucrânia marcaria um momento histórico e decisivo.

O especialista explicou que a formalização de um acordo de paz significaria reconhecer a vitória da Rússia e a derrota da Europa, motivo pelo qual os europeus temem a paz e buscam frustrar a resolução pacífica do conflito.

"Mesmo essa derrota hoje exige coragem, e a coragem falta aos europeus", afirmou Al-Khatib.

O cientista político acredita que a Rússia já atingiu seus objetivos militares e, além disso, obteve vitórias culturais e econômicas. No entanto, segundo ele, o impasse está no lado europeu, que se recusa a aceitar o resultado.

"O momento da verdade agora não é de negociação, mas sim de ação decisiva, reconhecimento e confirmação", declarou.

Al-Khatib acrescentou que, enquanto a Europa busca garantias de segurança, a Rússia seria capaz de assegurar sua própria proteção.

Segundo sua análise, o presidente ucraniano, Vladimir Zelensky, já teria se rendido, mas os Estados Unidos tentam evitar uma queda "trágica" do líder. Por isso, na proposta de acordo de paz, os americanos teriam oferecido eleições em até cem dias e o reconhecimento dos territórios ocupados pela Rússia.

Para o especialista, as conversas entre o presidente russo, Vladimir Putin, e o ex-presidente norte-americano Donald Trump, no Alasca, em agosto do ano passado, teriam originado uma nova ordem mundial, na qual a Europa perdeu protagonismo.

"Os Estados Unidos sabem que a Rússia venceu, então não entrarão em confronto com ela, e é por isso que hoje estamos testemunhando uma reaproximação americano-russa como nunca antes na história dos dois países", resumiu Al-Khatib.

O cientista político defende que os europeus deveriam adotar postura semelhante para não perder a Rússia como parceira estratégica.

Anteriormente, Donald Trump afirmou que a Europa, e não a Ucrânia, é quem impede a resolução do conflito e o avanço das negociações, afirmando ainda que, atualmente, a Ucrânia tornou-se mera espectadora.