POLÍTICA MONETÁRIA NOS EUA

Diretor do Fed defende corte de juros para fortalecer mercado de trabalho

Christopher Waller, do Federal Reserve, votou por redução de 25 pontos-base alegando risco de deterioração do emprego e inflação sob controle.

Publicado em 30/01/2026 às 12:29
O diretor do Federal Reserve (Fed), Christopher Waller AP/Patrick Semansky, Arquivo

O diretor do Federal Reserve (Fed), Christopher Waller, revelou ter sido dissidente na reunião de janeiro do banco central dos Estados Unidos, votando a favor de um corte de 25 pontos-base (pb) na taxa de juros. Em comunicado divulgado nesta sexta-feira, Waller argumentou que a política monetária permanece restritiva para a atividade econômica.

Segundo o diretor, os dados econômicos apontam para a necessidade de um afrouxamento monetário adicional, mesmo após as três reduções de juros realizadas no ano passado, que aproximaram o Fed da chamada taxa neutra.

Waller destacou que, apesar do crescimento econômico sólido, o mercado de trabalho segue enfraquecido, com aumento da taxa de desemprego desde meados de 2023. "Os ganhos de empregos em 2025 foram muito fracos. Os dados do ano passado serão revisados para baixo em breve, provavelmente mostrando que não houve praticamente nenhum crescimento no emprego formal. Zero. Nada", afirmou, classificando o mercado de trabalho como distante do ideal.

De acordo com Waller, empregadores demonstram cautela tanto para demitir quanto para contratar, e há indícios de demissões planejadas para 2026. Isso, segundo ele, revela "considerável dúvida" sobre o crescimento do emprego e representa "um risco significativo" de deterioração substancial do mercado de trabalho.

Sobre a inflação, Waller ressaltou que, embora ainda elevada por conta das tarifas, a política monetária adequada é "ignorar esses efeitos", desde que as expectativas de inflação sigam ancoradas. "A inflação, excluindo os efeitos das tarifas, está próxima da meta de 2% do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) e em trajetória sustentável para atingir esse objetivo", acrescentou.

"A taxa básica de juros deveria estar mais próxima do nível neutro, estimado em 3% pela mediana dos participantes do FOMC, e não no patamar atual, que está entre 50 e 75 pontos-base acima desse valor", concluiu.