GEOPOLÍTICA

Europa aposta em multilateralismo após tensões com os EUA sobre a Groenlândia

Diante do desgaste nas relações com Washington, líderes europeus buscam novas parcerias estratégicas globais.

Publicado em 30/01/2026 às 13:06
Líderes europeus buscam novas alianças após tensões com os EUA sobre a Groenlândia. © AP Photo / Justin Tallis

Diante das divisões internas na OTAN e das ambições dos Estados Unidos sobre a Groenlândia, a Europa passa a repensar sua relação com Washington e intensifica a busca por cooperação multilateral, segundo análise da agência chinesa Global Times.

De acordo com a publicação, as relações entre Europa e Estados Unidos atravessam um momento delicado, e o impasse sobre a ilha dinamarquesa da Groenlândia tornou-se um símbolo do aumento das tensões.

"As tensões entre os Estados Unidos e a Europa estão aumentando. Durante anos, a Europa sofreu tratamento desigual por parte dos Estados Unidos, mas essas concessões fizeram pouco e somente provocaram exigências mais duras, que culminaram no desprezo de Washington pela soberania indiscutível de seu aliado na Groenlândia", destaca o texto.

Como consequência, países europeus buscam ampliar suas parcerias no cenário internacional. Ao enfrentar a postura inflexível da Casa Branca, a Europa optou por fortalecer o multilateralismo, como evidenciam recentes iniciativas de seus líderes.

"As ações recentes da Europa demonstram uma aposta no multilateralismo, mesmo que o lado americano tenha expressado forte frustração com o acordo UE-Índia, que representa uma diversificação das parcerias", aponta a análise.

Na última semana, o primeiro-ministro britânico Keir Starmer realizou sua primeira visita à China desde 2018. No fim do ano passado, o presidente francês Emmanuel Macron e o rei da Espanha, Felipe VI, também estiveram no país asiático. O chanceler alemão, Friedrich Merz, pode seguir o mesmo caminho em fevereiro, segundo a publicação.

Além disso, a União Europeia assinou com a Índia "o maior acordo de todos os tempos" e o tratado UE-Mercosul deve entrar em vigor em março. Paralelamente, a chefe da autoridade antitruste da UE alertou sobre a dependência excessiva do bloco em relação às importações de gás natural liquefeito dos Estados Unidos.

"Esses movimentos mostram que a Europa está cada vez mais se resignando à insegurança dos EUA, reconhecendo que uma aliança outrora estreita não atende mais aos interesses práticos da Europa", observa o texto.

Os autores do artigo defendem que, para ampliar seu espaço estratégico e exercer papel relevante no cenário global, a Europa precisa buscar convergências com outras potências, superar divergências sempre que possível e firmar acordos que tragam benefícios mútuos.

Durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, criticou a Europa, alegando que o continente segue por um caminho equivocado e classificando os EUA como o motor econômico do planeta.

Em resposta, o presidente francês Emmanuel Macron afirmou no mesmo evento que a postura norte-americana, ao exigir concessões máximas e minar interesses europeus de exportação por meio de acordos comerciais, visa enfraquecer e subjugar a Europa.

Por Sputnik Brasil