INVESTIGAÇÃO FEDERAL

Ex-presidente do BRB relata cobrança direta a Daniel Vorcaro por carteiras do Master

Paulo Henrique Costa afirmou à Polícia Federal que pressionou o dono do Banco Master por problemas em carteiras adquiridas pelo BRB, envolvendo operações bilionárias e ativos de origem duvidosa.

Publicado em 30/01/2026 às 14:39
Ex-presidente do BRB relata cobrança direta a Daniel Vorcaro por carteiras do Master Reprodução

O ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, afirmou em depoimento à Polícia Federal (PF), no dia 30 de dezembro, que cobrou diretamente o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, sobre carteiras adquiridas pelo banco estatal.

De acordo com investigação da Polícia Federal, entre janeiro e junho de 2025, o BRB comprou R$ 6,7 bilhões em carteiras consideradas falsas do Master e pagou mais R$ 5,5 bilhões em prêmios, totalizando R$ 12,2 bilhões.

Essas carteiras teriam sido originadas pela Tirreno, classificada pela PF como uma empresa "de prateleira", e pela Cartos, ambas com vínculos com o Banco Master.

Paulo Henrique Costa declarou que não identificou esses ativos como "podres" inicialmente, mas admitiu que o BRB encontrou problemas na documentação, que não atendia aos padrões exigidos pelo Banco Central.

Em maio do ano passado, segundo Costa, ele cobrou pessoalmente Vorcaro antes de decidir pela substituição das carteiras. Foi nesse período que o BRB identificou que, na verdade, os créditos eram provenientes de outras empresas, a Tirreno e a Cartos, e não do Master.

"O meu celular vai mostrar esses registros, essas cobranças, nem sempre de uma maneira muito delicada, de recebimento e busca desses documentos", relatou Paulo Henrique à Polícia Federal.

No depoimento, o ex-presidente do BRB explicou que o banco passou a ter duas opções diante da situação: a primeira era exigir que o Banco Master substituísse os ativos por outros – medida que acabou sendo adotada. A segunda alternativa seria revender essas carteiras para a Tirreno e a Cartos, possibilidade que chegou a ser negociada com representantes dessas empresas.

Segundo Costa, nunca foi possível vender integralmente os R$ 6,7 bilhões adquiridos do Master, pois esse valor "não existia no Master" e representava apenas um saldo contábil no banco de Daniel Vorcaro.

"Na investigação, parece que o dinheiro existia e estava depositado no Master, e não estava, aquilo era um saldo contábil. Não exercemos o direito imediato de receber aquele dinheiro porque isso geraria uma quebra, e o BRB não conseguiria concluir o ciclo de troca de ativos que precisava cumprir. Isso resultaria em uma perda significativa para o BRB", explicou o ex-presidente.