OPERAÇÃO POLICIAL

Gaeco mira disputa sangrenta entre PCC e CV e desarticula rota do tráfico no interior paulista

Ação do Ministério Público de São Paulo cumpre mandados em cidades da região de Piracicaba e interrompe fluxo de ordens das facções.

Publicado em 30/01/2026 às 14:46
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

O Ministério Público de São Paulo deflagrou a Operação Keravnos para desarticular lideranças do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV), as principais facções do crime organizado do país, envolvidas em uma violenta disputa territorial nas regiões de Piracicaba, Limeira, Araras e Rio Claro, no interior paulista.

A operação foi às ruas nesta quinta-feira, 29, para cumprir mandados de busca e apreensão expedidos pela Vara Criminal da Comarca de Araras, tendo como foco a chamada "Rota Caipira" do tráfico de drogas. Segundo as investigações, entorpecentes oriundos de países como Bolívia, Colômbia, Peru e Paraguai entram no Brasil pelos Estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul e atravessam o interior de São Paulo em direção a portos e aeroportos do Sudeste, como o Porto de Santos, para distribuição nacional e internacional.

Endereços em Piracicaba, Rio Claro, Limeira, Santa Bárbara D'Oeste, Americana, Leme, Engenheiro Coelho e Hortolândia foram alvos dos promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), unidade do Ministério Público dedicada ao enfrentamento das facções criminosas.

Entre os investigados pela Operação Keravnos estão nomes apontados como lideranças regionais do PCC e do CV, conhecidos como 'Jets', além de criminosos de alta periculosidade que estavam foragidos do sistema prisional.

"A Justiça autorizou ainda a quebra do sigilo de dados telemáticos dos aparelhos apreendidos, medida considerada essencial para interromper o fluxo de ordens de execução, conhecidas como 'salves', emitidas pelas cúpulas das organizações", informou o Ministério Público.

Conflito violento

De acordo com a investigação, o confronto entre as duas maiores facções do país teve início em 2022, quando o Comando Vermelho tentou ocupar pontos de venda de drogas sob controle do PCC, desencadeando uma "guerra urbana" na região.

O monitoramento policial identificou que o conflito envolveu execuções com uso de fuzis, assassinatos de lideranças, carbonização de corpos e até uma chacina em represália a mortes de aliados de um dos grupos.

O material apreendido será analisado pelo Centro de Apoio à Execução (CAEx) do Ministério Público e poderá embasar novas denúncias criminais e a responsabilização dos envolvidos, destacou o Gaeco.