Vírus Nipah: Ministério da Saúde afirma que risco para o Brasil é baixo
Autoridades reforçam que não há ameaça de pandemia e monitoram cenário internacional em parceria com OMS e Fiocruz
O Ministério da Saúde divulgou nesta sexta-feira, 30, uma nota oficial informando que o risco relacionado ao vírus Nipah é considerado baixo e que a doença não representa ameaça ao Brasil. Segundo a pasta, não há indícios de que o vírus possa provocar uma pandemia.
De acordo com o Ministério, não existe evidência de disseminação internacional nem risco para a população brasileira. As autoridades nacionais seguem monitorando o cenário em articulação com organismos internacionais.
"No Brasil, o Ministério da Saúde mantém protocolos permanentes de vigilância e resposta a agentes altamente patogênicos, em articulação com instituições de referência como o Instituto Evandro Chagas e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), além da participação da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas)", destaca a nota.
O posicionamento do Ministério da Saúde está alinhado ao da Organização Mundial da Saúde (OMS), que também avalia como baixo o risco de uma pandemia associada à infecção pelo vírus Nipah.
Até o momento, dois casos de infecção pelo vírus Nipah foram confirmados na Índia, ambos em mulheres que atuam como enfermeiras. Não há registro de circulação do vírus fora do sudeste asiático.
No início desta semana, o governo indiano informou que a situação está sob controle. Das 198 pessoas que tiveram contato com as pacientes infectadas, todas testaram negativo para a doença.
O que é o vírus Nipah?
O vírus Nipah foi identificado pela primeira vez em 1998, na Malásia. Desde então, surtos foram registrados em diferentes países da Ásia. Segundo a OMS, o surto anterior ao atual, na Índia, ocorreu nas Filipinas, em 2014.
A transmissão pode ocorrer por contato com animais infectados, consumo de alimentos contaminados ou transmissão direta entre pessoas, especialmente por fluidos corporais e gotículas respiratórias. Morcegos são os hospedeiros naturais do vírus, mas outros animais, como porcos e cavalos, também podem ser infectados.
Em humanos, a infecção pode ser assintomática ou causar quadros respiratórios e evoluir para encefalite fatal. A taxa de letalidade varia entre 40% e 75%, dependendo do surto, da vigilância epidemiológica local e do manejo clínico dos pacientes.
Os sintomas iniciais incluem febre, dor de cabeça, dores musculares, vômitos e dor de garganta. Com a progressão da doença, podem surgir tontura, sonolência, alteração do nível de consciência e sinais neurológicos de encefalite aguda. Em casos graves, há registros de pneumonia atípica, convulsões, insuficiência respiratória e coma.