CRISE INTERNACIONAL

ONU enfrenta iminência de colapso financeiro devido à falta de recursos, alerta Guterres

Organização acumula dívida recorde de US$ 1,6 bilhão e pode ser obrigada a rever regras financeiras para evitar paralisação.

Por Por Sputnik Brasil Publicado em 30/01/2026 às 15:15
António Guterres alerta para risco de colapso financeiro na ONU devido ao aumento da dívida e à queda nas contribuições. © Sputnik / Aleksei Maishev

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, alertou para o risco iminente de colapso financeiro na entidade, em razão da falta de recursos.

Em documento acessado pela Sputnik, Guterres informou que, em 2025, a dívida da ONU atingiu o patamar recorde de US$ 1,6 bilhão (aproximadamente R$ 8,4 bilhões), valor que representa o dobro do registrado no ano anterior.

Segundo o secretário-geral, a situação é resultado de um duplo desafio: o não pagamento das contribuições pelos Estados-membros e a obrigação de reembolsar fundos que não chegaram a ser recebidos pela organização.

"Ou todos os Estados-Membros cumprem integralmente e no tempo certo as suas obrigações de contribuição, ou terão de rever fundamentalmente as regras financeiras para evitar o iminente colapso financeiro", afirmou Guterres.

O documento destaca ainda que, sem uma melhora significativa nas receitas, a ONU não conseguirá executar integralmente o orçamento de 2026, aprovado em dezembro passado.

"A realidade é que, a menos que as receitas melhorem significativamente, não seremos capazes de implementar integralmente o programa orçamentário de 2026 aprovado em dezembro", ressalta o texto.

Entre as medidas já previstas, a ONU deverá cortar gastos com operações de manutenção da paz, o que exigirá a devolução de US$ 900 milhões (cerca de R$ 4,7 bilhões) em julho de 2027. Além disso, a organização terá que reembolsar US$ 1,3 bilhão (aproximadamente R$ 6,8 bilhões) em fundos não utilizados no próximo ano.

A crise financeira se agravou após os Estados Unidos, maior doador da ONU, reduzirem drasticamente os repasses para suas agências e se recusarem a pagar tanto o orçamento regular quanto as contribuições para missões de paz.