Krugman questiona credibilidade de Warsh à frente do Fed, mas confia em freios institucionais
Nobel de Economia critica nomeação de Kevin Warsh ao Federal Reserve e aponta riscos à regulação financeira dos EUA
O Nobel de Economia Paul Krugman adotou um tom abertamente crítico ao comentar a possível indicação de Kevin Warsh para a presidência do Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos. Segundo Krugman, o ex-diretor do Fed não possui a credibilidade intelectual nem moral necessária para liderar o que é considerado o cargo econômico mais relevante do mundo.
Apesar das ressalvas, Krugman destaca que um "alívio" institucional reside no funcionamento colegiado do Fed, que limita o poder individual do presidente e tende a conter eventuais prejuízos à condução da política monetária.
Para o economista, fora de situações de crise, Warsh tende a ser amplamente ignorado pelos demais membros do colegiado e pode se tornar "um dos presidentes menos influentes da história do Fed".
Krugman avalia que a maioria dos dirigentes seguiria suas próprias convicções, ignorando silenciosamente o comando do presidente do BC. Mesmo uma possível coordenação entre indicados do ex-presidente Donald Trump não seria suficiente para alterar substancialmente a atual política monetária.
O cenário mais preocupante, segundo Krugman, ocorreria em momentos de forte turbulência, quando o Fed precisasse de uma liderança clara e de respostas ágeis – como aconteceu sob Ben Bernanke durante a crise de 2008 ou, mais recentemente, com Jerome Powell ao resistir a pressões políticas.
Para o Nobel, o maior risco da nomeação de Warsh está menos relacionado aos juros e mais à regulação financeira. Ele alerta que Warsh, ao lado da vice-presidente de supervisão Michelle Bowman, poderia "esvaziar" o papel do Fed como órgão regulador, enfraquecendo salvaguardas implementadas após a crise global.
Krugman também rejeita o rótulo de "hawkish" frequentemente atribuído a Warsh, descrevendo-o como um ator essencialmente político: favorável ao aperto monetário sob governos democratas e defensor de juros baixos durante administrações republicanas.
O Nobel recorda que, após 2008, Warsh se opôs fortemente aos estímulos do Fed, baseando-se em argumentos que se mostraram equivocados, sem jamais reconhecer erros ou rever posições.
Segundo Krugman, a ascensão de Warsh se deve a conexões pessoais, habilidade para autopromoção, lealdade partidária e à percepção de Donald Trump de que ele seria adequado ao cargo.
O episódio, conclui Krugman, representa um momento constrangedor para o Fed e evidencia como a polarização política nos Estados Unidos alcançou até mesmo instituições tradicionalmente protegidas.