Ouro despenca 11% e prata tomba 31% após realização de lucros e indicação de Warsh ao Fed
Metais preciosos sofrem forte queda com expectativas de política monetária mais rígida nos EUA e avanço do dólar.
O ouro encerrou esta sexta-feira, 30, com queda superior a 11%, registrando sua maior baixa percentual desde 2016. A prata, por sua vez, despencou 31%, em meio a uma onda de realização de lucros. O movimento foi desencadeado pela redução das expectativas de flexibilização monetária pelo Federal Reserve (Fed), após a indicação de Kevin Warsh para a presidência do banco central norte-americano, além de dados mais fortes de inflação ao produtor nos Estados Unidos e o avanço do dólar.
Na Comex, divisão de metais da bolsa de Nova York (Nymex), o ouro para abril fechou em baixa de 11,38%, cotado a US$ 4.745,10 por onça-troy.
A prata para março recuou 31,37%, negociada a US$ 78,53 por onça-troy.
No acumulado da semana, o ouro e a prata tiveram quedas de 4,71% e 22,5%, respectivamente. Apesar do tombo recente, no mês, o ouro ainda acumula alta de 9,30% e a prata, de 11,23%.
Segundo o Commerzbank, Warsh é visto pelos mercados como um candidato mais hawkish em comparação a outros nomes, como Kevin Hassett. Apesar disso, o banco alemão avalia que há grande chance de o Fed ceder à pressão e cortar juros além do que o mercado precifica atualmente.
Os dados mais recentes dos EUA mostraram que os preços cobrados pelos produtores americanos subiram acima do esperado em dezembro, reforçando o cenário de cautela.
“Warsh não se comprometeu a reduzir as taxas de juros e seria inapropriado pedir a ele que as reduzisse. Provavelmente conversarei com ele sobre isso, já que ele quer reduzi-las”, afirmou o presidente dos EUA, Donald Trump, enfatizando que não haverá pressão da Casa Branca nesse sentido.
Apesar dos desdobramentos, junho segue como o mês mais provável para o início de uma nova rodada de flexibilização monetária pelo Fed, conforme indica a ferramenta de monitoramento do CME Group.
De acordo com a Capital Economics, o movimento brusco desta sexta-feira, aliado aos ralis anteriores, evidencia que os preços podem cair quase tão rápido quanto sobem. A consultoria projeta que o ouro termine o ano abaixo dos níveis atuais.
Outros metais também recuaram: a platina para abril caiu 19%, fechando a US$ 2.121,60 por onça, devolvendo ganhos que haviam levado o metal a renovar máxima histórica na semana. O paládio para março cedeu 15,62%, encerrando a US$ 17.03,10.