POLÍTICA INTERNACIONAL

Argentina negocia acordo para receber deportados dos EUA, diz imprensa

Parceria avançada entre Washington e Buenos Aires pode transformar Argentina em destino para imigrantes deportados por autoridades americanas.

Publicado em 30/01/2026 às 16:46
Argentina pode se tornar destino de deportados dos EUA em acordo bilateral, segundo imprensa. © AP Photo / Christian Chavez

Estados Unidos e Argentina estão em negociações avançadas para firmar um acordo que permitirá aos EUA deportar imigrantes de outros países para a Argentina, segundo reportagem publicada pelo New York Times nesta sexta-feira (30).

De acordo com o jornal norte-americano, autoridades argentinas pretendem concluir ainda neste mês o chamado acordo de "terceiro país" com os Estados Unidos.

O pacto reforçaria a estratégia do ex-presidente Donald Trump de deportar milhões de imigrantes em situação irregular no país. O governo Trump já buscava ampliar as remoções para nações terceiras, como Sudão do Sul, Essuatíni, El Salvador, Costa Rica e Panamá.

Embora a Argentina seja historicamente reconhecida por sua política migratória relativamente aberta, o atual presidente Javier Milei, aliado próximo de Trump, tem adotado medidas mais rígidas, incluindo repressão a imigrantes com antecedentes criminais e exigência de seguro de saúde para viajantes.

Este ano, dois cidadãos americanos foram mortos por agentes do Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA (ICE), órgão responsável pela detenção de imigrantes ilegais.

Segundo pesquisa da YouGov realizada em 25 de janeiro, após a morte de um homem em Minneapolis por agentes do ICE, 46% dos 3.359 entrevistados apoiam a dissolução do órgão, enquanto 41% se posicionam contra. Outros 12% não opinaram.

Desde meados do ano passado, milhares de pessoas protestaram nas ruas dos EUA contra as políticas migratórias do governo Trump, com manifestações em cidades como Nova York e San Francisco.

No primeiro ano do segundo mandato de Trump, os Estados Unidos registraram a maior saída líquida de migrantes das últimas cinco décadas, segundo relatório da Brookings Institution. O estudo aponta que a migração líquida negativa tem impactos significativos sobre a macroeconomia americana.

Em 2023, havia 47,8 milhões de imigrantes vivendo nos Estados Unidos, de acordo com a mais recente Pesquisa da Comunidade Americana (ACS), do Departamento do Censo, o que representava 14,3% da população.

Por Sputnik Brasil