ECONOMIA

Incerteza econômica cresce em janeiro, impulsionada por crises internacionais, aponta FGV

Indicador de Incerteza da Economia atinge maior nível desde abril de 2025, refletindo tensões globais e políticas tarifárias dos EUA.

Publicado em 30/01/2026 às 16:35
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

O Indicador de Incerteza da Economia (IIE-Br), calculado pela Fundação Getulio Vargas (FGV), avançou 12,6 pontos em janeiro, alcançando 117,1 pontos — o maior patamar desde abril de 2025. Na análise de médias móveis trimestrais, o índice subiu 2,7 pontos, chegando a 109,7 pontos.

“O Indicador de Incerteza Econômica subiu em janeiro, marcado pelo aumento das tensões geopolíticas e geoeconômicas globais. Uma análise dos termos contidos em artigos ou matérias associados ao aumento da incerteza revela uma relação forte com um evento específico: a intervenção dos Estados Unidos na Venezuela”, avaliou Anna Carolina Gouveia, economista do FGV Ibre.

Segundo Gouveia, a intensificação de políticas tarifárias unilaterais pelo governo norte-americano e o agravamento das tensões com líderes europeus, após declarações sobre possíveis reivindicações à Groenlândia, ampliaram ainda mais o ambiente global de instabilidade no fim do mês.

“Esses fatores combinados contribuíram para uma elevação significativa da incerteza global e influenciaram o componente de Mídia do IIE-Br, que atingiu o maior nível desde 2021. Em menor escala, as crises envolvendo o Banco Master também impactaram o aumento da incerteza fiscal no país. Em sentido oposto, o componente de Expectativas registrou a quarta queda consecutiva, indicando menor incerteza nas previsões para variáveis econômicas em 12 meses”, destacou Gouveia, que prevê manutenção da incerteza elevada nos próximos meses, a depender da evolução das tensões internacionais e da proximidade das eleições presidenciais brasileiras.

Componentes

O componente de Mídia do IIE-Br subiu 14,7 pontos, para 122,5 pontos — maior nível desde novembro de 2021 — e foi responsável por praticamente todo o resultado agregado, com contribuição de 12,8 pontos.

Já o componente de Expectativas, que avalia a dispersão nas previsões de especialistas para variáveis macroeconômicas, recuou 0,8 ponto no mês, mantendo tendência de queda pelo quinto mês consecutivo, para 88,4 pontos, retirando 0,2 ponto do IIE-Br.