Israel anuncia reabertura da passagem de Rafah, entre Faixa de Gaza e Egito, para este domingo
Medida marca avanço em negociações de cessar-fogo e permitirá movimentação limitada de pessoas na fronteira
Israel anunciou nesta sexta-feira, 30, que reabrirá neste fim de semana a passagem de Rafah, na fronteira entre a Faixa de Gaza e o Egito, nos dois sentidos. A decisão representa um passo importante para o plano de cessar-fogo em Gaza apoiado pelo presidente dos EUA, Donald Trump.
O COGAT, órgão militar israelense responsável pela coordenação da ajuda a Gaza, informou em comunicado que, a partir de domingo, será permitida uma "movimentação limitada de pessoas" pela passagem de Rafah, principal porta de entrada de Gaza para o mundo exterior.
O anúncio ocorre após declarações do primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, e de Ali Shaath, recém-nomeado chefe do comitê administrativo palestino que governa os assuntos diários de Gaza, sobre a iminente reabertura da passagem.
Segundo o COGAT, tanto Israel quanto o Egito irão verificar os indivíduos que entrarem e saírem, com a supervisão dos agentes da patrulha de fronteira da União Europeia. Além das inspeções na passagem, palestinos que saírem e retornarem também serão submetidos a verificações no corredor adjacente, que permanece sob controle militar israelense.
A passagem de Rafah está praticamente fechada desde que Israel assumiu o controle em maio de 2024, justificando a ação como parte de uma estratégia para impedir o contrabando de armas pelo grupo Hamas. Ela foi aberta brevemente apenas para evacuação de pacientes durante um curto cessar-fogo no início de 2025.
No início, Israel resistiu à reabertura da passagem, mas a recuperação dos restos mortais do último refém em Gaza, na segunda-feira, 26, abriu caminho para o avanço. Um dia depois, Netanyahu afirmou que a passagem seria reaberta em breve, de forma limitada e controlada.
Segundo o primeiro-ministro, o objetivo de Israel é desarmar o Hamas e eliminar os túneis remanescentes. Sem essas ações, destacou, não haverá reconstrução em Gaza, tornando o controle sobre Rafah um ponto central nas negociações.
Refugiados
Milhares de palestinos ainda tentam deixar a Faixa de Gaza, devastada pela guerra, enquanto outros tantos que fugiram durante os combates buscam retornar para casa.
De acordo com um funcionário israelense, que falou sob anonimato à Associated Press, dezenas de palestinos serão inicialmente autorizados a atravessar a passagem, priorizando pacientes em tratamento médico e aqueles que saíram durante o conflito.
O sistema de saúde de Gaza foi severamente prejudicado pela guerra, tornando procedimentos cirúrgicos avançados inacessíveis. Segundo o Ministério da Saúde local, cerca de 20 mil palestinos doentes e feridos precisam de tratamento fora do território. Historicamente, crianças, pacientes com câncer e pessoas com traumas físicos tiveram prioridade na evacuação.
A reabertura da passagem de Rafah é um dos primeiros passos da segunda fase do acordo de cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos no ano passado. O pacto abrange questões complexas, como a desmilitarização de Gaza e a criação de um governo alternativo para supervisionar a reconstrução do enclave, amplamente destruído pelo conflito.
Com informações da Associated Press.