Ministro do TCU assume novo processo sobre carteiras do Master e conduta de diretor do BC
Jhonatan de Jesus, do TCU, passa a relatar apuração sobre venda de carteiras falsas do Master ao BRB e conduta de diretor do Banco Central.
O ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Jhonatan de Jesus, já responsável por investigar uma possível "precipitação" do Banco Central (BC) na liquidação do Banco Master, foi designado para relatar um novo processo relacionado ao caso. Na última segunda-feira, 26, ele assumiu a relatoria de uma representação que solicita ao TCU a apuração da venda de carteiras de crédito falsas do Master para o Banco de Brasília (BRB), além de investigar a conduta do diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton Aquino.
No final do ano passado, Jhonatan de Jesus cogitou impor medidas cautelares contra o BC no âmbito do caso Master. Ele chegou a determinar uma inspeção urgente no BC no início deste mês, mas recuou após uma reunião com o presidente do TCU, Vital do Rêgo, e o presidente do BC, Gabriel Galípolo. Ficou acordado que os técnicos do TCU realizariam uma "diligência" no órgão regulador, porém sem acesso a informações sigilosas.
A representação foi protocolada pelo subprocurador-geral do Ministério Público junto ao TCU (MPTCU), Lucas Rocha Furtado, que solicita a apuração da conduta de Aquino e de "outros agentes públicos eventualmente envolvidos".
O documento faz referência a uma reportagem da colunista Malu Gaspar, publicada em O Globo, segundo a qual o diretor do BC teria solicitado ao então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, que o banco adquirisse carteiras do Master. Costa teria apresentado mensagens com o suposto pedido ao conselho de administração do BRB.
No mesmo dia da publicação, sexta-feira, 23, o Banco Central divulgou nota negando que Aquino tenha recomendado a compra de carteiras fraudadas. O diretor colocou à disposição das autoridades seus dados bancários, fiscais e os registros das conversas com o ex-presidente do BRB. Também na sexta-feira, dois conselheiros do BRB negaram as informações divulgadas, em carta destinada à distribuição interna, mas obtida pelo Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.
A representação do MPTCU, datada do dia 23, também requer investigação sobre a regularidade das operações de aquisição de carteiras de crédito do Master pelo BRB, além da identificação dos responsáveis pelos prejuízos ao banco público. O próprio Banco Central denunciou ao Ministério Público Federal (MPF) que o Master vendeu R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito falsas ao BRB, fato que originou a primeira fase da operação Compliance Zero.
Até o momento, não houve novas movimentações no processo do TCU.