Petróleo encerra dia em queda, mas acumula alta de 13% no mês com tensões entre EUA e Irã
Apesar da volatilidade e do recuo nesta sexta, preços do petróleo disparam em fevereiro diante de riscos geopolíticos no Oriente Médio.
Os contratos futuros de petróleo fecharam a sexta-feira (30) em baixa, após uma sessão marcada por forte volatilidade e ajustes de posições dos investidores diante da recente valorização. O mercado permaneceu atento às tensões no Oriente Médio, especialmente à possibilidade de uma ação militar dos Estados Unidos contra o Irã, fator que limitou perdas mais acentuadas mesmo diante de indicadores macroeconômicos menos favoráveis.
O petróleo WTI para março, negociado na New York Mercantile Exchange (Nymex), recuou 0,32% (US$ 0,21), encerrando a US$ 65,21 o barril. O Brent para o mesmo mês, negociado na Intercontinental Exchange de Londres (ICE), caiu 0,39% (US$ 0,27), fechando a US$ 69,32 o barril.
Na semana, os contratos acumularam altas de 6,78% (WTI) e 5,22% (Brent). No mês, os ganhos foram ainda mais expressivos: 13,6% e 13,9%, respectivamente.
De acordo com analistas do MUFG, movimentos de realização de lucros ganharam força ao longo do pregão, pressionando os contratos. O fortalecimento do dólar e a busca pontual por ativos de menor risco também contribuíram para o ajuste, embora o risco de um confronto mais direto no Oriente Médio siga oferecendo suporte aos preços no curto prazo, superando as preocupações com uma oferta global relativamente confortável.
Jorge Leon, chefe de Análise Geopolítica da Rystad Energy, destaca que o mercado vem reprecificando rapidamente o risco geopolítico, diante da percepção crescente de que uma ação militar americana contra o Irã deixou de ser improvável. Segundo o analista, o tom mais duro do presidente Donald Trump e o histórico recente do governo em cumprir ameaças militares mantêm o mercado em alerta, mesmo em sessões de correção.
A consultoria Gelber & Associates avalia que o recuo reflete um ajuste técnico após a forte alta recente, com parte dos investidores reduzindo posições em meio à elevada volatilidade. O volume de negociações permanece elevado, indicando redistribuição de posições, enquanto o mercado testa sua estabilidade nos níveis atuais ou a possibilidade de novas rodadas de realização de lucros.
Na sessão desta sexta, investidores também analisaram a possível escolha do ex-diretor do Federal Reserve (Fed), Kevin Warsh, para a presidência do banco central americano. Considerado "mais seguro" entre os candidatos para suceder Jerome Powell, segundo a Capital Economics, sua indicação e os dados de inflação ao produtor dos EUA impulsionaram o dólar, pressionando ainda mais as commodities.
Com informações da Dow Jones Newswires