Amiga de jovem encontrada morta em piscina é presa após laudo descartar descarga elétrica
Prisão temporária foi decretada após laudo do IML apontar afogamento; defesa alega falhas na perícia e questiona investigação.
A Polícia Civil prendeu Grazielli de Barros Silva, de 40 anos, suspeita de envolvimento na morte da amiga Beatriz Calegari de Paulo, de 26 anos, encontrada morta ao lado de uma piscina em Lins, interior de São Paulo, no dia 16 de janeiro. O caso foi reaberto em 23 de janeiro, após laudo do Instituto Médico Legal (IML) indicar morte por afogamento, contrariando a hipótese inicial de descarga elétrica. A defesa de Grazielli aponta inconsistências na investigação.
De acordo com a Polícia Civil, a Justiça deferiu a prisão temporária de Grazielli na terça-feira, 27, diante da suspeita de homicídio. Novos laudos do Instituto de Criminalística (IC) estão em elaboração para esclarecer os fatos. O inquérito policial é conduzido pela Delegacia de Investigações Gerais de Lins.
O advogado de Grazielli, Celso Modonesi, sustenta que Beatriz morreu em decorrência de descarga elétrica, versão aceita até o dia 23 de janeiro. Para a defesa, o laudo do IML que aponta afogamento seria incompleto, sem fotodocumentação e com falhas técnicas. Beatriz foi sepultada no dia seguinte à morte, inicialmente tratada como acidente.
A defesa também questiona a condução da perícia, alegando que a cena não foi preservada adequadamente. O imóvel foi alugado no dia seguinte ao fato e houve acesso de terceiros antes da perícia oficial, além da elaboração de um laudo particular pela proprietária, o que, segundo o advogado, teria comprometido a produção de provas.
No depoimento, Grazielli relatou que ambas estavam na piscina quando Beatriz saiu para ligar a cascata no disjuntor. Segundo ela, a jovem teria sofrido uma descarga elétrica e, em seguida, caído. Ao ouvir o barulho, Grazielli saiu da piscina, tocou na amiga e também levou um choque. Depois, teria ido de carro até o Corpo de Bombeiros mais próximo.
“Minha cliente tem sessenta e quatro quilos, uma pessoa franzina. Para afogar uma de oitenta, teria que haver luta corporal e, no mínimo, marcas em ambos os corpos, o que não aparece no laudo”, argumenta o advogado de Grazielli.