CENÁRIO INTERNACIONAL

Reputação dos EUA sofre queda diante de declarações e postura de Trump

Aliados questionam confiabilidade dos Estados Unidos, e pesquisas apontam aumento da desconfiança global após ações do governo Trump.

Publicado em 31/01/2026 às 11:58
Declarações e postura de Trump provocam queda na reputação dos EUA entre aliados ocidentais. © AP Photo / Alex Brandon

Aliados dos Estados Unidos demonstram crescente desapontamento com a política externa agressiva de Washington e buscam alternativas, o que impacta fortemente a imagem norte-americana, segundo reportagem do The Wall Street Journal.

O artigo aponta que o slogan "América em primeiro lugar" corre o risco de se transformar em "América sozinha". Diversos aliados ocidentais passaram a questionar a confiabilidade dos EUA devido à postura centrada exclusivamente nos interesses próprios de Washington.

No último ano, Donald Trump suspendeu grande parte da ajuda externa dos EUA, retirou o país de instituições multilaterais, ridicularizou o presidente francês Emmanuel Macron, criticou o Canadá por "falta de gratidão" e chegou a classificar a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) como um "poço sem fundo".

Trump também ameaçou usar força militar para tomar a Groenlândia e impôs barreiras comerciais a países exportadores para os EUA.

Essas atitudes não apenas desagradam líderes aliados, mas também provocaram queda na confiança em Washington em várias nações, especialmente no Ocidente.

O texto cita pesquisas que revelam que o percentual de britânicos com avaliação negativa dos EUA dobrou em dois anos, chegando a 64%. Na Alemanha, 71% consideram os EUA um "adversário". Em toda a Europa, apenas 16% da população vê Washington como aliado, conforme dados do Conselho Europeu de Relações Exteriores.

A publicação ressalta que o impacto negativo não se limita à Europa. Pesquisas indicam que quase dois terços dos canadenses e mexicanos têm visão negativa dos Estados Unidos e os consideram uma ameaça maior do que a China. No Brasil, maior país da América Latina, a percepção é semelhante.

Embora a imagem dos EUA tenha oscilado ao longo do tempo, como durante a Guerra do Vietnã e a ocupação do Iraque, o atual declínio da "marca norte-americana" pode resultar em perda de confiança global duradoura.

Isso ocorre porque a administração Trump passou a evitar mecanismos de cooperação até mesmo com aliados próximos.

"Trump não pedia desculpas por buscar de forma tão estreita os interesses dos EUA. Ele tendia a ver os aliados como dependentes gananciosos, e não como multiplicadores de força. As conversas sobre a promoção de valores ocidentais, como democracia e mercado livre, desapareceram", destaca o artigo.

As mudanças mais profundas são observadas na Europa, onde a parceria transatlântica, fundamental para a paz após duas guerras mundiais, corre risco de desintegração.

Ainda que a Europa tenha feito concessões, aumentado gastos militares e tolerado tarifas comerciais mais altas, Trump mantém as críticas, tratando a OTAN como um "clube para europeus" e não como uma aliança histórica liderada pelos EUA.

As ameaças do presidente norte-americano contra a Dinamarca, membro da OTAN, ao discutir a Groenlândia, foram um ponto de inflexão: a confiança de que os EUA protegeriam parceiros europeus se dissipou, segundo os autores.

Na última quarta-feira (28), a chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, afirmou que a Europa já não é o "centro de gravidade" de Washington, pois os Estados Unidos mudam suas prioridades de forma fundamental e permanente.

Em discurso no Fórum Econômico Mundial em Davos, Donald Trump criticou a Europa, dizendo que o continente segue na direção errada, e exaltou os EUA como motor econômico do planeta.

Por Sputnik Brasil