JUSTIÇA E REGULAÇÃO

Refit recorre à Justiça contra interdição total imposta pela ANP

Refinaria de Manguinhos busca suspender decisão da agência após identificação de riscos graves de incêndio em suas instalações no Rio de Janeiro.

Publicado em 31/01/2026 às 14:04
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

A Refit (antiga Refinaria de Manguinhos) comunicou neste sábado, 31, por meio de fato relevante à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que acionou a Justiça para tentar reverter a decisão da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), que determinou a interdição total de suas instalações no Rio de Janeiro.

Segundo a companhia, foi protocolado um pedido no Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) para suspender os efeitos da decisão da agência reguladora e restabelecer as operações da refinaria. O pedido, de acordo com a Refit, ainda aguarda análise do relator responsável.

A ANP determinou a interdição total da unidade no último dia 29, após vistoria que identificou risco grave e iminente de incêndio. A refinaria já estava parcialmente interditada desde outubro de 2025. Conforme documento obtido pela Broadcast, foram constatadas ao menos seis situações de risco grave relacionadas a falhas em barreiras preventivas e mitigadoras de segurança.

De acordo com a agência reguladora, a ocorrência de apenas uma falha crítica seria suficiente para configurar risco grave iminente. Por isso, houve a interdição completa das instalações de produção de derivados de petróleo, abrangendo áreas de processo, movimentação, tancagem, expedição e carregamento de todos os produtos, excetuando-se apenas as operações necessárias para retirada do inventário de combustíveis e materiais inflamáveis.

Em nota divulgada na véspera, a Refit classificou a interdição como nula, alegando que a medida desrespeita decisão judicial anterior que teria suspendido o processo administrativo na ANP. Em dezembro do ano passado, o desembargador federal Newton Pereira Ramos Neto determinou a suspensão do processo administrativo após questionamentos da empresa sobre a conduta de diretores da agência.

A empresa também afirmou que, durante a primeira interdição, em outubro de 2025, apresentou queixa-crime contra dois diretores, alegando que “coordenaram a fiscalização de forma clandestina”.

A Refit acrescentou que as inconformidades apontadas pela fiscalização vinham sendo tratadas no âmbito administrativo, com envio de documentos, relatórios técnicos e investimentos em melhorias na unidade. “Com essa nova determinação para interditar a companhia, a ANP demonstra total desprezo por decisões judiciais”, declarou a empresa em nota.