INDICAÇÃO PARA O BANCO CENTRAL

Haddad sugere Guilherme Mello para diretoria do Banco Central

Economista próximo ao PT e crítico dos juros altos é cotado para assumir vaga no BC; nome será avaliado pelo Senado

Publicado em 01/02/2026 às 14:46
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad Reprodução / Instagram

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, indicou o secretário de Política Econômica, Guilherme Mello, para uma das diretorias do Banco Central (BC), com vaga prevista a partir de 2025. O nome de Mello foi sugerido ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), segundo fontes próximas ao ministro e ao secretário, que confirmaram a informação ao Estadão. Procurados, ambos não se manifestaram.

A possível nomeação de Mello depende da aprovação do Senado, responsável por sabatinar o indicado após a formalização do nome pelo Palácio do Planalto. O Comitê de Política Monetária (Copom), responsável por definir a taxa básica de juros, é composto pelo presidente e diretores do BC.

A escolha de um economista alinhado ao PT ocorre em meio à manutenção da taxa básica de juros em 15% ao ano pelo Copom.

Guilherme Mello participou da elaboração do plano de governo de Lula para as eleições de 2022, junto à Fundação Perseu Abramo, ligada ao partido. O documento apresentava críticas à política de elevação da Selic conduzida pelo Banco Central à época.

Mello foi anunciado para a Secretaria de Política Econômica por Haddad ainda durante a transição de governo, após a vitória de Lula sobre Jair Bolsonaro. Desde então, manteve críticas à política de juros altos em diferentes eventos nos quais representou o governo.

“É evidente que o nível da taxa básica de juros no Brasil é restritivo e elevado, o que inibe não só a captação da caderneta de poupança como também a concessão de crédito em diferentes modalidades e dificulta o mercado de crédito imobiliário”, afirmou durante o evento CNN Talks, dedicado à discussão do crédito no país.

Mello é mestre em Economia Política pela PUC-SP e doutor em Ciência Econômica pela Unicamp, onde atua como docente e coordena o programa de pós-graduação em desenvolvimento econômico.

Entre suas áreas de pesquisa estão “políticas monetárias não convencionais”. É autor das teses “A pós-grande indústria capitalista e a questão do valor: uma abordagem marxista” (mestrado) e “Os derivativos e a crise do subprime: o capitalismo em sua quarta dimensão” (doutorado).