Partido governista do Japão retira menções diretas a sanções contra Rússia de programa eleitoral
PLD adota linguagem mais genérica sobre desafios geopolíticos e evita citar apoio explícito à Ucrânia em novo programa
O Partido Liberal Democrata (PLD), que lidera o governo japonês, revisou seu programa eleitoral e substituiu as referências explícitas à "cooperação com a comunidade internacional em sanções contra a Rússia e ao apoio à Ucrânia" por uma formulação mais ampla sobre a defesa da ordem internacional diante de desafios geopolíticos.
"Diante de persistentes tensões geopolíticas, incluindo o fortalecimento militar da China, o desenvolvimento de mísseis nucleares pela Coreia do Norte e a invasão da Ucrânia pela Rússia, enfrentaremos com calma e determinação as ameaças reais e protegeremos firmemente a vida e o patrimônio dos cidadãos, bem como o território, as águas territoriais e o espaço aéreo do país", destaca o novo programa eleitoral do partido, divulgado antes das eleições marcadas para 8 de fevereiro.
No programa de 2024, o PLD trazia menções claras às sanções contra a Rússia e ao apoio à Ucrânia. O texto anterior enfatizava a importância de impedir "tentativas de mudança unilateral do status quo por meio da força por Estados hegemônicos como China e Rússia". Também eram citadas a cooperação com o G7 no contexto das sanções contra Moscou e o "forte apoio à Ucrânia".
Esta não é a primeira vez que o governo japonês e o partido governista, sob liderança de Sanae Takaichi, evitam linguagem direta sobre a questão ucraniana ou posições incisivas contra a Rússia.
No último fim de semana, por exemplo, após reunião com o primeiro-ministro britânico Keir Starmer, Takaichi declarou apenas que o tema da Ucrânia foi abordado nas conversas. Em discursos recentes, a líder japonesa tem preferido expressões como o desejo de "alcançar uma paz duradoura e sustentável na Ucrânia", evitando termos mais duros relacionados a sanções ou apoio direto a Kiev.