ELEIÇÕES 2026

Governo aposta em peso maior de temas globais na campanha de 2026, diz mídia

Auxiliares do Planalto avaliam que política externa e crises internacionais devem influenciar o debate eleitoral e fortalecer protagonismo do Brasil.

Publicado em 02/02/2026 às 09:15
Lula intensifica agenda internacional e aposta em temas globais para a campanha de 2026. © Ricardo Stuckert/PR

A agenda internacional deve ganhar protagonismo na campanha de 2026, segundo avaliação de auxiliares do Palácio do Planalto, diante da crescente instabilidade geopolítica e do esforço do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para ampliar o diálogo com líderes mundiais.

Em meio a tensões regionais, Lula intensifica contatos e prepara encontros estratégicos, incluindo uma reunião com Donald Trump prevista para março.

Fontes da Presidência ouvidas pelo G1 apontam que a política externa tende a ocupar espaço central na disputa eleitoral, impulsionada pelos desafios globais. Para o Planalto, as viagens internacionais do presidente e as conversas frequentes com chefes de Estado reforçaram a presença e a influência do Brasil no cenário internacional.

Segundo interlocutores do governo, a complexidade do momento mundial — com tensões na Venezuela, na Faixa de Gaza, na Groenlândia e na Ucrânia — deve colocar os temas internacionais no centro do debate político. Lula tem abordado esses assuntos de forma recorrente em discursos recentes, destacando sua atuação diplomática.

O ambiente global, marcado por conflitos regionais, disputas comerciais e incertezas sobre a reorganização da ordem internacional, levou o presidente a intensificar contatos com líderes estrangeiros. Apenas em janeiro, Lula realizou 14 telefonemas com figuras como Vladimir Putin (Rússia), Xi Jinping (China), Donald Trump (Estados Unidos) e Emmanuel Macron (França).

De acordo com o Planalto, esse volume de ligações é o maior registrado em um único mês nos últimos mandatos, sinalizando uma estratégia deliberada de ampliar a interlocução internacional. Fontes ouvidas pela GloboNews afirmam que essa agenda externa fortalece parcerias estratégicas e amplia o protagonismo brasileiro.

O governo também prepara um novo encontro presencial entre Lula e Donald Trump, previsto para março. A expectativa é discutir temas bilaterais prioritários, como o combate ao crime organizado, negociações sobre produtos brasileiros afetados pelo tarifaço e a situação política na América Latina.

A recente viagem de Lula ao Panamá, na última quarta-feira (28), integra essa agenda internacional ampliada. No país, o presidente participou do Fórum Econômico da América Latina e se reuniu com os presidentes da Bolívia e do Panamá, tratando de temas como o acordo Mercosul–União Europeia, a proposta de um Conselho da Paz e a crise política na Venezuela. Lula também se encontrou com o presidente eleito do Chile, José Antonio Kast.

O governo brasileiro tem buscado defender o multilateralismo e reforçar o papel do país nos debates sobre paz, segurança e comércio global. Líderes europeus já apontaram o Brasil como ator relevante para a estabilidade na América Latina, reforçando a percepção de que o país pode exercer influência moderadora na região.

Mesmo diante das tensões provocadas pelo tarifaço anunciado por Trump, Lula tem mantido diálogo com o presidente norte-americano, defendendo a soberania nacional e o respeito ao direito internacional, sem adotar tom de confronto direto.

Por Sputnik Brasil