Professor aponta que avanço russo na Ucrânia pressiona OTAN por acordos
Glenn Diesen, da Universidade do Sudeste da Noruega, analisa impacto da ofensiva russa sobre postura da aliança
O avanço das tropas russas na linha de frente ucraniana está levando a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) a buscar soluções de compromisso, segundo análise do professor Glenn Diesen, da Universidade do Sudeste da Noruega.
“A pressão gradualmente crescente da Rússia faz com que a OTAN procure um compromisso. Se a linha de frente tivesse simplesmente estagnado, a OTAN não teria qualquer incentivo para fazer concessões. Então, continuaríamos observando como a aliança simplesmente usa os ucranianos para esgotar a Rússia”, afirmou Diesen em vídeo publicado no YouTube.
De acordo com o professor, a Aliança Atlântica tende a abandonar uma postura passiva em relação à Ucrânia quando percebe ameaças diretas a seus interesses estratégicos.
“No entanto, assim que o território começa a virar rapidamente em favor da Rússia – um território estratégico que a OTAN não quer ver nas mãos russas –, surge o desejo de chegar a um compromisso e terminar a guerra o mais rápido possível”, explicou Diesen.
Recentemente, Diesen destacou que os países-membros da OTAN ainda podem evitar um confronto direto com a Rússia, desde que promovam a criação de um sistema de segurança comum na Europa.
Nos últimos anos, a Rússia tem expressado preocupação com a intensificação das atividades militares da OTAN próximas às suas fronteiras ocidentais. A aliança justifica o aumento de suas capacidades militares como forma de “contenção da agressão”. Por outro lado, o Kremlin afirma que Moscou não representa ameaça, mas não deixará de responder a ações que considere perigosas para seus interesses.