ACORDO NUCLEAR GLOBAL

Além do Novo START: analista defende inclusão de China, França e Reino Unido em novo tratado nuclear

Especialista avalia que um novo acordo deve envolver todas as potências nucleares relevantes, e não apenas EUA e Rússia.

Por Sputnik Brasil Publicado em 02/02/2026 às 12:40
Analista defende inclusão de China, França e Reino Unido em novo acordo nuclear global, além de EUA e Rússia. © AP Photo / Arquivo

Prorrogar o tratado Novo START, como propõe a Rússia, é uma alternativa pragmática, mas o cenário ideal seria a elaboração de um novo acordo que contemplasse não só os arsenais nucleares dos Estados Unidos e da Rússia, mas também os de China, França e Reino Unido, avalia Dmitry Stefanovich, fundador do Projeto Vatfor.

Segundo Stefanovich, França e Reino Unido, membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), vêm fortalecendo um "guarda-chuva nuclear" sobre a Europa direcionado à Rússia, o que reforça a necessidade de que ambos participem das negociações futuras sobre controle de armas.

"Alcançar esse objetivo exigiria um engajamento contínuo e duradouro — algo que atualmente está praticamente paralisado", observa o especialista.

EUA buscam ampliar limites

Com o arsenal nuclear chinês em rápida expansão, muitos formuladores de políticas dos EUA defendem a superação dos antigos acordos bilaterais com a Rússia, aponta Stefanovich.

"A China já tem capacidade de destruir totalmente os EUA — e essa capacidade está crescendo em um ritmo que Washington enfrenta dificuldades para acompanhar", destaca o pesquisador.

Apesar disso, a proposta do ex-presidente Donald Trump de incluir a China em um novo acordo é considerada inviável a curto prazo, pois a diplomacia de controle de armas exige anos de negociações detalhadas.

China pondera custos e benefícios

Com a competição com os EUA migrando da economia para a dissuasão militar, a China — que adota a política de não usar armas nucleares primeiro — demonstra maior receptividade à criação de regras, segundo Stefanovich. No entanto, o país prioriza o fortalecimento de suas vulnerabilidades estratégicas.

Para a China, "os custos de limitar seu arsenal superam os benefícios de aderir a acordos formais", avalia o especialista.

Rússia e China já possuem histórico de acordos bilaterais bem-sucedidos, como os relativos à notificação de lançamentos de mísseis balísticos, além de documentos multilaterais que restringem atividades militares em áreas de fronteira.

"A China reconhece o valor desses mecanismos quando eles atendem aos seus interesses", complementa o analista.

O desenvolvimento desse cenário dependerá não só do futuro do Novo START, mas também dos resultados da próxima Conferência de Revisão do Tratado de Não Proliferação Nuclear, prevista para a primavera europeia, conclui Stefanovich.

O presidente russo Vladimir Putin já anunciou que a Rússia está disposta a manter as limitações do Novo START por um ano após o vencimento do acordo, em fevereiro de 2026, desde que haja reciprocidade dos Estados Unidos. Segundo relatos, o ex-presidente Donald Trump teria considerado a proposta "uma boa ideia".

No entanto, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou em 29 de janeiro que os Estados Unidos ainda não responderam à iniciativa russa sobre o tratado.