CRISE INTERNACIONAL

ONU alerta para risco de colapso financeiro sem reformas ou pagamento de contribuições

Secretário-geral António Guterres pede mudanças urgentes nas regras orçamentárias e o pagamento integral dos países-membros para evitar paralisação das atividades.

Publicado em 02/02/2026 às 13:28
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

A Organização das Nações Unidas (ONU) enfrenta o risco de um "colapso financeiro iminente" caso não ocorram mudanças urgentes em suas regras orçamentárias ou o pagamento integral das contribuições de todos os países-membros. O alerta foi feito pelo secretário-geral António Guterres em carta enviada às 193 nações que compõem a entidade.

Segundo Guterres, os recursos do orçamento regular podem se esgotar já em julho, o que comprometeria significativamente as operações da ONU. "Ou todos os Estados-membros honram suas obrigações de pagar integralmente e em dia, ou precisarão reformar fundamentalmente nossas regras financeiras para evitar um colapso financeiro iminente", escreveu o secretário-geral.

Embora não cite países diretamente, a crise ocorre em meio ao não pagamento das contribuições obrigatórias pelos Estados Unidos, tradicionalmente o maior doador da organização. O ex-presidente Donald Trump, por exemplo, já declarou que a ONU "tem potencial", mas "não esteve à altura", e durante seu governo retirou o país de organismos como a Organização Mundial da Saúde e a Unesco, além de cortar recursos de diversas outras áreas.

De acordo com autoridades da ONU, os Estados Unidos devem US$ 2,196 bilhões ao orçamento regular, incluindo US$ 767 milhões referentes a este ano e a exercícios anteriores. O país também acumula uma dívida de US$ 1,8 bilhão no orçamento separado das operações de paz, valor que tende a aumentar. A Venezuela é o segundo maior inadimplente, com US$ 38 milhões em atraso, tendo já perdido o direito de voto na Assembleia Geral por estar há dois anos sem pagar as contribuições.

Guterres destacou que a ONU encerrou 2025 com um recorde de US$ 1,568 bilhão em contribuições pendentes, mais que o dobro do registrado no final de 2024. Com isso, as reservas de liquidez estão praticamente esgotadas e, sem uma melhora significativa nos pagamentos, a organização não conseguirá executar o orçamento regular de US$ 3,45 bilhões previsto para 2026.

O secretário-geral voltou a criticar uma regra que obriga a ONU a devolver recursos não utilizados aos países-membros, mesmo quando o dinheiro não foi recebido. "Não posso exagerar a urgência da situação que enfrentamos agora", afirmou. "Não podemos executar orçamentos com recursos não arrecadados, nem devolver fundos que nunca recebemos."

Com informações da Associated Press