Usuários de Mounjaro, Ozempic e Wegovy têm risco de pancreatite? Veja o que se sabe
Agência britânica alerta para risco raro, porém grave, de pancreatite aguda em pacientes que utilizam análogos de GLP-1 e GIP.
A Agência Reguladora de Medicamentos e Produtos de Saúde (MHRA) do Reino Unido, equivalente à Anvisa no Brasil, emitiu um alerta sobre o risco raro de pancreatite aguda grave em pacientes que utilizam análogos de GLP-1 e/ou GIP. Nessa categoria estão a tirzepatida (princípio ativo do Mounjaro) e a semaglutida (presente no Ozempic e no Wegovy).
A pancreatite aguda já era conhecida como um efeito colateral possível, porém pouco frequente, dessas medicações. Em situações extremamente raras, a doença pode evoluir para quadros graves, incluindo pancreatite necrosante e até casos fatais, segundo a agência. O principal sintoma é uma dor abdominal intensa e persistente, que pode irradiar para as costas e vir acompanhada de náuseas e vômitos.
"A pancreatite pode ser difícil de reconhecer nos estágios iniciais, já que sintomas como dor abdominal, náusea ou vômito podem ser confundidos com efeitos gastrointestinais comuns do tratamento com GLP-1 e GLP-1/GIP, ou mesmo com infecções", explica a MHRA.
Apesar de as canetas injetáveis serem consideradas seguras e eficazes para os usos autorizados, nenhum medicamento está isento de riscos. As principais indicações da semaglutida e da tirzepatida são para o tratamento do diabetes tipo 2, obesidade e sobrepeso com comorbidades associadas.
"Quem faz uso de análogos de GLP-1 deve ficar atento aos sintomas de pancreatite grave e procurar atendimento médico imediato caso os apresente", orienta a agência britânica. Se houver suspeita de pancreatite, a recomendação é suspender imediatamente o uso do medicamento.
No Reino Unido, entre 2007 e outubro de 2025, a MHRA recebeu 1.296 notificações de pancreatite associada a esses medicamentos, das quais 19 foram fatais e 24 foram classificadas como pancreatite necrosante. Uma pesquisa recente da University College London (UCL) estima que 1,6 milhão de adultos na Inglaterra, País de Gales e Escócia utilizaram semaglutida e tirzepatida entre o início de 2024 e o início de 2025 para perda de peso.