Copom aponta redução de incertezas no curto prazo, mas mantém alerta para riscos inflacionários
Balanço de riscos do Banco Central mostra menor incerteza nos próximos meses, mas cenário ainda exige cautela
O Comitê de Política Monetária (Copom) avaliou que o cenário econômico ainda apresenta riscos elevados para a inflação em prazos mais longos, tanto de alta quanto de baixa. No entanto, o colegiado observou uma redução das incertezas no balanço de riscos, especialmente nos horizontes mais próximos.
Entre os riscos de alta para a inflação e para as expectativas inflacionárias, o Copom destacou a possibilidade de uma desancoragem das expectativas de inflação por período mais prolongado; uma resiliência maior da inflação de serviços, motivada por um hiato do produto mais positivo; e a combinação de políticas econômicas internas e externas que possam resultar em impacto inflacionário superior ao esperado, como uma taxa de câmbio persistentemente depreciada.
Já entre os riscos de baixa, o colegiado ressaltou a chance de uma desaceleração da atividade econômica doméstica mais forte que o projetado, com reflexos no cenário inflacionário; uma desaceleração global mais acentuada devido a choques no comércio e a um ambiente de maior incerteza; além de uma possível redução nos preços das commodities, contribuindo para a desinflação.
Na última quarta-feira (28), o Copom manteve a taxa Selic em 15% ao ano, mas sinalizou a intenção de iniciar o ciclo de redução dos juros na próxima reunião, em março. O colegiado reforçou, porém, o compromisso de manter a "restrição adequada" para garantir o cumprimento da meta de inflação.