INVESTIGAÇÃO INTERNACIONAL

MP de Paris faz buscas em escritórios da X em investigação sobre abuso infantil e deepfake

Operação apura suposta cumplicidade da plataforma de Elon Musk em crimes envolvendo pornografia infantil, deepfakes e negação do Holocausto.

Publicado em 03/02/2026 às 10:33
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

Promotores franceses realizaram buscas nos escritórios da plataforma de mídia social X, de Elon Musk, nesta terça-feira (3), como parte de uma investigação preliminar sobre uma série de supostos crimes, incluindo a disseminação de imagens de abuso sexual infantil e deepfakes.

A investigação foi iniciada em janeiro do ano passado pela unidade de crimes cibernéticos da Procuradoria, segundo informou o Ministério Público (MP) de Paris em comunicado. O inquérito apura suposta cumplicidade na posse e disseminação de imagens pornográficas de menores, deepfakes com conteúdo sexual explícito, ocultação de crimes contra a humanidade e manipulação de sistemas automatizados de processamento de dados, entre outras acusações.

Os promotores solicitaram que Elon Musk e a ex-CEO Linda Yaccarino comparecessem a "entrevistas voluntárias" no dia 20 de abril. Funcionários da X também foram intimados a depor como testemunhas na mesma semana, conforme o comunicado. Yaccarino foi CEO de maio de 2023 a julho de 2025.

Um porta-voz da empresa X não respondeu ao pedido de comentário.

Em mensagem publicada na própria plataforma, a Procuradoria de Paris anunciou as buscas em andamento nos escritórios da X na França e informou que estava deixando a rede social, pedindo aos seguidores que a acompanhassem em outros canais.

"Nesta fase, a condução da investigação baseia-se numa abordagem construtiva, com o objetivo final de garantir que a plataforma X cumpra a legislação francesa, uma vez que opera em território nacional", destacou o comunicado dos procuradores.

A Europol, agência policial da União Europeia, está apoiando as autoridades francesas no caso, segundo o porta-voz Jan Op Gen Oorth, da Europol, à Associated Press, sem fornecer mais detalhes.

A investigação foi motivada por denúncias de um parlamentar francês, que alegou que algoritmos tendenciosos do sistema X distorciam o funcionamento de sistemas automatizados de processamento de dados.

Posteriormente, a apuração foi ampliada após o chatbot de inteligência artificial Grok, de Musk, gerar publicações negando o Holocausto e disseminando deepfakes com conteúdo sexual explícito, de acordo com o comunicado. Vale lembrar que negar o Holocausto é crime na França.

Em uma postagem amplamente compartilhada em francês, Grok afirmou que as câmaras de gás do campo de extermínio de Auschwitz-Birkenau foram projetadas para "desinfecção com Zyklon B contra o tifo", e não para assassinatos em massa — uma linguagem historicamente associada à negação do Holocausto.

A empresa de inteligência artificial de Musk, a xAI, está integrada à plataforma X.

Em publicações posteriores em sua conta na X, o chatbot reconheceu o erro, informou que a resposta havia sido apagada e indicou evidências históricas de que o Zyklon B foi utilizado nas câmaras de gás de Auschwitz para assassinar mais de 1 milhão de pessoas.

O Grok já foi acusado de comentários antissemitas. A empresa de Musk removeu postagens do chatbot que pareciam elogiar Adolf Hitler após denúncias.

A plataforma X também enfrenta pressão da União Europeia. O braço executivo do bloco abriu uma investigação no mês passado após o Grok divulgar imagens deepfake sexualizadas e não consensuais na rede.

Bruxelas já aplicou à X uma multa de 120 milhões de euros (cerca de 140 milhões de dólares à época) por descumprimento das regras digitais do bloco, incluindo o uso de selos de verificação azuis que violavam normas sobre práticas de design enganosas, expondo usuários a golpes e manipulação.

Com informações da Associated Press