Nasa adia nova viagem à Lua após vazamento de combustível em teste
Problemas durante abastecimento do foguete Artemis adiam missão tripulada prevista para março; agência revisa dados e agenda novo ensaio
A Nasa anunciou nesta terça-feira, 3, o adiamento do lançamento de seu novo foguete para a Lua, previsto agora para março, após identificar vazamentos de combustível durante um teste crucial realizado na segunda-feira, 2.
Em comunicado oficial, a agência espacial norte-americana afirmou que a decisão de adiar a missão "permitirá que as equipes revisem os dados e realizem um segundo ensaio geral" antes do teste de voo.
Os vazamentos — que remeteram ao atraso ocorrido na estreia do foguete há três anos — foram detectados poucas horas após o início da operação de abastecimento, que se estendeu por todo o dia no Centro Espacial Kennedy. O incidente colocou em dúvida a data de decolagem dos astronautas.
A Nasa informou que os quatro astronautas escalados para a missão serão retirados temporariamente da quarentena, que já durava quase duas semanas. Segundo a agência, eles retornarão ao isolamento "cerca de duas semanas" antes da próxima janela de lançamento para a viagem ao redor da Lua.
Até o momento, a Nasa não definiu uma nova data oficial para o lançamento em março, ressaltando que a prioridade é "revisar completamente os dados do teste, mitigar cada problema e retomar os ensaios".
Antes do adiamento, a previsão mais otimista era de que o comandante Reid Wiseman e sua tripulação poderiam ser lançados no domingo, 8.
Como ocorreu o vazamento de combustível
Os controladores de lançamento iniciaram o abastecimento do foguete de 98 metros com hidrogênio e oxigênio líquidos super-resfriados ao meio-dia de segunda-feira. Mais de 2,6 milhões de litros precisaram ser transferidos para os tanques e mantidos a bordo por várias horas, simulando os estágios finais de uma contagem regressiva real. No entanto, o acúmulo rápido de hidrogênio na base do foguete forçou a interrupção do processo em pelo menos duas ocasiões.
A equipe de lançamento tentou resolver o problema utilizando técnicas aprendidas durante a contagem regressiva do Sistema de Lançamento Espacial em 2022, quando o primeiro voo de teste também enfrentou vazamentos antes de decolar sem tripulação.
Em nota, a Nasa destacou ainda atrasos nas operações de encerramento do teste, além de falhas recorrentes de áudio nas comunicações com a equipe de solo.
Os quatro astronautas — três americanos e um canadense — acompanharam o ensaio geral a cerca de 1.600 quilômetros de distância, no Johnson Space Center, em Houston.
A agência dispõe de apenas alguns dias por mês para lançar o foguete, e o frio intenso já havia reduzido a janela de lançamento de fevereiro em dois dias.
Devido à forte onda de frio, os relógios de contagem regressiva foram acionados na noite de sábado, permitindo aos controladores simular todos os procedimentos e solucionar eventuais pendências do foguete. O cronômetro foi programado para ser interrompido 30 segundos antes do zero, pouco antes da ignição dos motores.
Como será a viagem
A missão, com duração prevista de quase 10 dias, levará os astronautas além da Lua, passando pelo lado oculto do satélite e retornando à Terra. O objetivo principal é testar o suporte de vida da cápsula e outros sistemas essenciais.
A tripulação não entrará na órbita lunar nem tentará pousar na superfície. A última missão tripulada da Nasa à Lua ocorreu durante o programa Apollo, nas décadas de 1960 e 1970. Agora, o programa Artemis busca estabelecer uma presença lunar mais duradoura, com a equipe de Wiseman abrindo caminho para futuras missões de pouso.