FISCALIZAÇÃO BANCÁRIA

Renan Calheiros propõe mudanças para ampliar fiscalização do BC sobre fundos

Presidente da CAE do Senado defende alterações na legislação para que Banco Central atue diretamente sobre fundos e aplicações, citando investigações sobre o banco Master.

Publicado em 03/02/2026 às 13:14
Renan Calheiros propõe mudanças para ampliar fiscalização do BC sobre fundos Reprodução / Agência Brasil

O presidente da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, Renan Calheiros (MDB-AL), anunciou a intenção de pautar mudanças legislativas para ampliar o alcance fiscalizatório do Banco Central (BC) sobre bancos e fundos de investimento. Embora não tenha detalhado as propostas, o senador afirmou que as alterações visam permitir uma atuação mais direta do BC na fiscalização dessas operações.

"Na conclusão dos trabalhos da Comissão do Master, vamos votar várias alterações na legislação para que o Banco Central possa mais diretamente fazer a fiscalização desses fundos, dessas aplicações", declarou Renan durante sessão da CAE.

O parlamentar reiterou nesta terça-feira, 3, que o grupo de trabalho criado para investigar o banco Master também irá apurar possíveis envolvimentos da classe política com a instituição. Renan, aliado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), levantou questionamentos sobre encontros entre o presidente e Daniel Vorcaro, proprietário do Master.

"O dono de um banco que tem 0,5% do mercado financeiro foi levado três vezes ao presidente da República. Três vezes nos encontros com o presidente da República. Estava lá o ministro da Fazenda, o chefe do Gabinete Civil, o líder do governo do Senado Federal. Será que todas as pessoas do sistema financeiro com essa participação seriam recebidas dessa forma pelo presidente da República? Quem levou o Vorcaro para o presidente da República?", indagou Renan.

De acordo com reportagem do jornal O Globo, Daniel Vorcaro esteve no Palácio do Planalto quatro vezes entre 2023 e 2024. A Presidência afirma que não houve reunião entre o banqueiro e Lula.

Plano de trabalho

Renan Calheiros informou ainda que apresentará nesta quarta-feira, 4, o plano de trabalho do grupo que supervisiona as investigações sobre o banco Master. "É dever desta comissão vasculhar o pântano do banco Master e suas ramificações, doa a quem doer", afirmou o senador.

Segundo ele, o grupo promoverá sessões para depoimentos e requisitará acesso a documentos, inclusive sigilosos, relacionados ao caso.

Renan reforçou a necessidade de investigar integrantes da classe política que possam ter ligação com Vorcaro. "As relações do banqueiro são públicas. Vigarista não distingue ideologia. Todos que se relacionam com ele tiveram condutas criminosas? É outra pergunta. Tem de investigar", pontuou.

O senador classificou o caso Master como "esquema de pirâmide" e acusou o banco de tentar "espetar em um banco público títulos podres", numa referência ao BRB. Para Renan, houve "sonolência" dos órgãos de investigação diante do episódio.