Haddad afirma que vazamento de indicações ao BC prejudicou processo e vê reação coordenada
Ministro da Fazenda critica divulgação antecipada de nomes para diretoria do Banco Central e destaca qualificação dos indicados.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, declarou nesta terça-feira (3) que o vazamento das indicações para cargos na diretoria do Banco Central prejudicou o andamento do processo. Em entrevista à Rádio Bandnews, Haddad disse ter observado uma “reação orquestrada” contra os nomes sugeridos para a cúpula da instituição.
Foram indicados Guilherme Mello e Tiago Cavalcanti para duas vagas na diretoria do Banco Central. Os cargos ficaram vagos após as saídas de Diogo Guillen, ex-diretor de Política Econômica, e Renato Gomes, ex-diretor de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução, ambos nomeados pelo governo anterior e que deixaram seus postos ao final de 2025.
“Se quem vazou queria ajudar, atrapalhou”, afirmou Haddad ao comentar o impacto da divulgação antecipada.
O ministro destacou o currículo dos indicados. “Cavalcanti e Mello são eticamente irrepreensíveis, quem está criticando não sabe do que está falando”, pontuou.
Tiago Cavalcanti é professor titular de Economia e membro do Trinity College da Universidade de Cambridge. Para Haddad, ele “talvez seja uma das grandes estrelas da economia” entre os brasileiros com menos de 50 anos atuando no exterior.
Guilherme Mello é o atual secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, e teve seu trabalho elogiado por Haddad.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a tratar do assunto há três semanas, mas uma reunião específica sobre as indicações ainda será realizada.
Haddad revelou ter conversado com Lula sobre o tema em novembro, mas reconheceu que o presidente “ainda não está com a cabeça nisso”.